Livro - No Deserto da Tentação | Ellen G. White Books

No Deserto da Tentação

Saúde e Felicidade

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são iguais a guias cegos. Estão dirigindo o povo para fora do caminho de segurança ao apresentar as exigências e proibições da antiga lei de Jeová, como arbitrárias e severas. Dão permissão ao pecador para ultrapassar os limites da lei de Deus. Nisto são como o grande adversário, abrindo diante delas uma vida de liberdade em violação aos mandamentos de Deus. Com esta liberdade sem lei acabaram-se as bases da responsabilidade moral.

Aqueles que seguem a esses líderes cegos, fecham as avenidas da alma à recepção da verdade. Não permitem que a verdade com seus frutos úteis lhes afetem o coração. Grande número firma sua alma com preconceito contra novas verdades e também contra a claríssima luz que mostra a correta aplicação de antiga verdade, a lei de Deus, que é tão antiga quanto o mundo. O intemperante e licencioso tem prazer em afirmar freqüentemente que a lei dos Dez Mandamentos não é obrigatória nesta dispensação. Avareza, roubos, perjúrios e crimes de toda espécie são praticados sob o manto de cristianismo.

Saúde e Felicidade

Por que os homens não podem fazer estas coisas se a lei que as proíbem foi abolida? Nenhuma mensagem da Terra ou do Céu pode impressionar fortemente os intemperantes e licenciosos que estão iludidos com a teoria de que a lei dos Dez Mandamentos foi abolida. Muitos professos ministros


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de Cristo exortam o povo a uma vida de santidade, enquanto eles mesmos se submetem ao poder do apetite e da poluição do fumo. Estes ensinadores que estão liderando o povo no menosprezo da lei física e moral terão um relato pavoroso a enfrentar no futuro.

Saúde, verdade e felicidade não podem ser adquiridas sem um conhecimento inteligente, completa obediência à lei de Deus e perfeita fé em Jesus Cristo. O Senhor não tem nenhum outro meio para alcançar o coração humano. Muitos professos cristãos reconhecem que pelo uso do fumo estão condescendendo com um hábito dispendioso, prejudicial e nojento. Desculpam-se, porém, dizendo que é um hábito formado e que não podem vencê-lo. Ao reconhecer isto, estão prestando homenagem a Satanás, dizendo por suas ações, se não em palavras, que, ainda que Deus seja poderoso, Satanás tem grande poder. Por profissão eles dizem que são servos de Jesus Cristo ao passo que suas obras dizem que eles se submetem ao controle de Satanás, porque isto lhes é menos inconveniente. É isto vencer como Cristo fez? Ou é ser vencido pela tentação? A desculpa acima é instigada por pessoas que estão no ministério, que professam ser embaixadores de Cristo.

Muitas são as tentações e assaltos de todos os lados para arruinar as esperanças dos jovens, tanto no tocante a este mundo quanto para o por vir. Todavia, a única senda segura para o jovem e o idoso é viver em estrita conformidade com os princípios da lei física e moral. O caminho da obediência


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é o único que leva ao Céu. Os viciados no álcool e fumo, às vezes, dariam qualquer soma de dinheiro, se pudessem vencer o apetite pela condescendência que destrói o corpo e a alma. Aqueles que não subjugam os apetites e as paixões ao controle da razão, serão condescendentes às expensas das obrigações morais e físicas.

As vítimas de um apetite depravado, apegadas às contínuas tentações de Satanás, procurarão condescendência à custa da saúde e mesmo da vida, tendo de comparecer ao tribunal de Deus como suicidas. Muitos se permitiram ser dominados pelo hábito por tão longo tempo que se tornaram escravos do apetite. Não têm coragem moral para resignar-se e suportar o sofrimento por algum tempo através da restrição e negação do paladar, a fim de vencer o vício. Esta classe recusa vencer como fez o seu Redentor. Não suportou Cristo, no deserto, sofrimento físico e a angústia mental em favor do homem?

Muitos permitiram por tanto tempo que o apetite e o gosto controlassem a razão, que não têm poder moral para perseverar na resignação própria, e suportar por algum tempo, até que a natureza maltratada possa começar a trabalhar e estabelecer um sadio sistema de ação. Muitos que têm o gosto pervertido recuam ante o pensamento de restringir seu regime e continuam com as suas condescendências doentias. Não estão dispostos a vencer como fez seu Redentor.

Que cenário de inigualável exemplo de sofrimento foi aquele jejum de quase seis semanas,


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enquanto Jesus estava sendo assaltado pelas mais terríveis tentações! Quão poucos podem compreender o amor de Deus pelo pecador, o qual não recusou que Seu divino Filho tomasse sobre Si a humilhação humana! Ele entregou Seu amado Filho à vergonha e agonia para que pudesse trazer filhos e filhas à glória.

Quando o homem pecador discernir o inexprimível amor de Deus em dar Seu Filho para morrer sobre a cruz, poderá compreender melhor a infinita vantagem de vencer como Cristo venceu. Compreenderemos que será uma eterna perda ganharmos todo o mundo, com todos os seus prazeres e glória, e contudo perdermos a alma. O Céu é muito barato, a qualquer custo.

Sobre as margens do Jordão a voz do Céu, acompanhada pela manifestação da excelente glória, proclamou que Cristo é o Filho do Eterno. Satanás estava prestes a encontrar-se pessoalmente com o Chefe do reino, que ele veio para vencer. Se falhasse, sabia que estava perdido. Portanto, o poder de suas tentações estava de acordo com a grandeza do objeto que ele ganharia ou perderia. Por quatro mil anos, desde a declaração feita a Adão de que a semente da mulher feriria a cabeça da serpente, ele tinha estado planejando sua maneira de ataque.

Lançou mão de todos os esforços para vencer no apetite a Cristo, que suportou as mais cruciantes dores da fome. A vitória ganha destinava-se não somente a ser um exemplo para os que caíssem sob o poder do apetite, mas para qualificar


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o Redentor na obra especial de alcançar as profundezas da tristeza humana. Pela experiência própria quanto à força das tentações de Satanás, os sofrimentos e enfermidades humanas, Ele saberia como socorrer aqueles que estariam dispostos a ajudar-se a si mesmos.

Nenhuma soma de dinheiro poderia comprar uma única vitória sobre as tentações de Satanás. Mas aquilo que o dinheiro não tem valor para obter, como integridade, esforço resoluto e poder moral, obteria através do nome de Cristo uma nobre vitória sobre o apetite. Que seria se o conflito custasse ao homem sua própria vida? Que seria se os escravos do vício realmente morressem na luta para salvar-se do poder controlador do apetite? Morreriam por uma boa causa. A vitória ganha à custa da vida humana, não representaria nada quando a vitória aparecer, na primeira ressurreição, e os vencedores receberem a recompensa.

Tudo, então, é ganho. Mas a vida não será sacrificada na luta para vencer apetites depravados. É certo que se não vencermos como Cristo venceu, não poderemos ter um assento com Ele no Seu trono. Aqueles que não obstante a luz e a verdade destroem a saúde mental, moral e física, induzidos por qualquer espécie de condescendência, perderão o Céu. Sacrificam aos ídolos as faculdades dadas por Deus. Deus merece e exige nossos mais altos pensamentos e sagradas afeições.

A um custo infinito Cristo, nosso Redentor, comprou todas as nossas faculdades e nossa própria existência e tudo o que há de bom na vida foi


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comprado para nós, ao preço de Seu sangue. Aceitaremos as bênçãos e nos esqueceremos das exigências do Doador? Pode qualquer de nós consentir em seguir as inclinações, a condescendência com os apetites e paixões, e viver sem Deus? Comeremos e beberemos como irracionais, e, à semelhança dos embotados animais não associaremos o pensamento com Deus, com tudo aquilo de bom que nos alegra?

Aqueles que fazem esforços decididos em nome do Conquistador para vencer a todo ardente desejo antinatural quanto ao apetite, não morrerão no conflito. Em seus esforços para controlar o apetite, colocam-se em relação correta com a vida, e podem assim regozijar-se na saúde e no favor de Deus, e terão direito à vida imortal.

Milhares estão continuamente vendendo o vigor físico, mental e moral pelo prazer do paladar. Todas as faculdades têm seu trabalho distinto; contudo, todas têm uma dependência mútua em relação à outra. Se o equilíbrio for cuidadosamente preservado, conservará uma ação harmoniosa. Nenhuma destas faculdades pode ser avaliada em dólares e centavos. Todavia, por um bom jantar, álcool ou fumo são vendidas. Enquanto está paralisada pela condescendência com o apetite, Satanás controla a mente e leva a toda sorte de crimes e impiedades. Deus tem prazer em preservar todas as nossas faculdades em sadio vigor, para que possamos ter um senso claro de Seus requisitos e tenhamos santidade perfeita no Seu temor.

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