Livro - No Deserto da Tentação | Ellen G. White Books

No Deserto da Tentação

CAPÍTULO 5

Plano de Redenção

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o seu quartel general; ali estabeleceria o seu trono e seria o rei do mundo.

Medidas, porém, foram imediatamente tomadas no Céu para derrotar Satanás e seus planos. Anjos poderosos, tendo raios de luz como espadas flamejantes, saíram em todas as direções e foram colocados como sentinelas para guardar o caminho à árvore da vida, da aproximação de Satanás e do par culpado. Adão e Eva perderam todo direito ao seu maravilhoso lar edênico e agora foram expulsos dele. A terra foi amaldiçoada por causa do pecado de Adão e produziria cardos e abrolhos. Enquanto vivesse, Adão estaria exposto às tentações de Satanás e finalmente sofreria a morte, voltando ao pó.

Plano de Redenção

Houve um concílio no Céu, tendo como resultado a submissão do querido Filho de Deus a fim de redimir o homem da maldição e desgraça da falha de Adão, e derrotar a Satanás. Oh! condescendência maravilhosa! A Majestade do Céu, por causa do Seu amor e piedade pelo homem caído, propôs tornar-Se seu substituto e fiança. Ele carregaria a culpa do homem. Tomaria sobre Si mesmo a condenação do Pai, a qual de outra maneira cairia sobre o homem por causa de sua desobediência.

A lei de Deus era inalterável. Não poderia ser abolida nem seria possível submeter a menor parte de sua reivindicação para ajudar o homem no seu estado caído. O ser humano estava separado de


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Deus pela transgressão de Seu expresso mandamento, apesar de ter Ele conscientizado a Adão das conseqüências de tal transgressão. O pecado de Adão originou uma situação deplorável. Satanás agora teria controle ilimitado sobre a humanidade, a menos que um ser mais poderoso do que Satanás antes de sua queda, entrasse em ação e o vencesse, resgatando, desta forma, o homem.

A alma divina de Cristo encheu-Se de infinita compaixão pelo par caído. Ao verificar sua condição desditosa e desesperançada, ao ver que pela transgressão da lei de Deus eles caíram sob o poder e controle do príncipe das trevas, propôs o único meio que poderia ser aceitável diante de Deus, dando-lhes outra oportunidade e colocando-os novamente sob um período de prova. Cristo consentiu em deixar Seu lugar de honra, Sua autoridade real, Sua glória com o Pai, humilhando-se ao humanizar-Se e ao entrar em luta com o poderoso príncipe das trevas, a fim de salvar o homem. Por meio de Sua humilhação e pobreza identificar-Se-ia com a fragilidade do ser caído, e mediante resoluta obediência mostraria Ele ser capaz de redimir a falha clamorosa de Adão e por humilde obediência reconquistaria o Éden perdido.

A grande obra da redenção só poderia ser efetuada pelo Redentor ao tomar o lugar do Adão caído. Levando sobre Si os pecados do mundo, Ele poderia palmilhar o caminho em que Adão tropeçou. Suportaria uma prova infinitamente mais severa do que aquela que Adão falhou em suportar. Creditaria à conta do homem, ao derrotar o tentador


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por meio da obediência, Sua pureza de caráter e serena integridade, imputando ao homem Sua justiça, para que, em Seu nome, o ser humano pudesse superar o inimigo por iniciativa própria.

Que amor! Que extraordinária condescendência! O Rei da glória Se prontificou a humilhar-Se a Si mesmo pela humanidade caída! Seguiria os passos de Adão. Tomaria a natureza caída do homem e Se empenharia na luta contra o forte inimigo que triunfara sobre Adão. Venceria Satanás e, assim fazendo, abriria o caminho para a reparação da falha e da queda desventurosa de Adão e de todos aqueles que cressem nele.

Anjos submetidos à prova foram enganados por Satanás e foram liderados por ele em uma grande rebelião nos Céus, contra Cristo. Falharam em suportar a prova a que foram submetidos e caíram. Adão foi criado à imagem de Deus e colocado sob provação. Tinha um organismo perfeitamente desenvolvido. Todas as suas faculdades eram harmoniosas. Em todas as suas emoções, palavras e ações havia uma perfeita conformidade com a vontade do seu Criador. Depois de ter Deus tomado todas as providências para a felicidade do homem, e ter suprido todos os seus desejos, provou sua lealdade. Se o santo par permanecesse obediente, a humanidade seria, depois de algum tempo, feita igual aos anjos. Como Adão e Eva falharam em suportar a prova, Cristo propôs tornar-Se uma oferta voluntária em prol do homem.

Satanás viu que se Cristo era na verdade o Filho de Deus, o Redentor do mundo, não seria bom


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para ele que o Senhor deixasse as cortes reais do Céu a fim de vir a este mundo caído. Temia que o seu poder, a partir desse tempo, fosse limitado e que os seus enganos fossem discernidos e expostos, e sua influência sobre o homem fosse enfraquecida. Temia que seu domínio e controle dos reinos do mundo fossem contestados. Lembrava-se das palavras que Jeová lhe dirigiu quando foi convocado à Sua presença com Adão e Eva, a quem havia arruinado com os seus enganos: "Porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Gên. 3:15. Esta declaração contém a primeira promessa evangélica feita ao homem.

Mas estas palavras, ao serem pronunciadas, não foram completamente entendidas por Satanás. Sabia, porém, que continham a maldição para ele por haver seduzido o santo par. Quando Cristo Se manifestou sobre a Terra, Satanás temeu que Ele fosse na verdade o Prometido que iria limitar o seu poder e finalmente destruí-lo.

Satanás tinha um interesse peculiar em observar o desenvolvimento dos eventos que se seguiram imediatamente à queda de Adão, para saber como seu trabalho havia afetado o reino de Deus, e o que o Senhor iria fazer com Adão, por causa de sua desobediência.

O Filho de Deus, ao submeter-Se a fim de tornar-Se o Redentor do ser humano, colocou Adão numa nova relação com o Seu Criador. Continuaria ainda em estado decaído, mas a porta da esperança


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fora aberta para ele. A condenação de Deus ainda permaneceria sobre Adão, mas a execução da sentença de morte foi postergada e a indignação de Deus foi contida porque Cristo aceitou a missão de tornar-Se o Redentor do homem. Cristo tomou sobre Si a ira de Deus, que por justiça deveria cair sobre o homem. Tornou-Se o refúgio do ser humano e apesar de ser este na verdade um criminoso, merecendo a condenação de Deus, pôde, contudo, pela fé em Cristo, correr para o refúgio provido e ser salvo. No meio da morte há vida se o homem escolher aceitá-la. O santo e infinito Deus, que mora na luz inacessível, não podia mais falar ao homem. Nenhuma comunicação poderia agora existir diretamente entre o homem e seu Criador.

Deus Se absteve, por algum tempo, da execução completa da sentença de morte pronunciada sobre o homem. Satanás exultou por ter quebrado para sempre a ligação entre o Céu e a Terra. Estava, porém, totalmente enganado e desapontado. O Pai entregou o mundo a Seu Filho para que Ele o redimisse da maldição e desgraça da falha e queda de Adão. Unicamente através de Cristo poderia o Senhor manter comunhão com o homem.

Cristo voluntariamente Se propôs manter e vindicar a santidade da lei divina. Não tiraria a mínima parte de suas reivindicações na obra de redimir o homem, mas, a fim de salvá-lo e manter a santidade dos reclamos e justiça da lei de Pai, Ele Se entregou a Si mesmo em sacrifício pela culpa do homem. Na Sua vida, em nenhum sentido


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desviou-Se Cristo da lei de Seu Pai. Ao contrário, por firme obediência a todos os seus preceitos, e morrendo pelos pecados daqueles que os tinham transgredido, estabeleceu Ele a sua imutabilidade.

Após a transgressão de Adão, viu Ele que a ruína foi completa. A humanidade foi levada a uma deplorável condição. O homem foi cortado de sua interligação com Deus. Era desígnio de Satanás que o estado do homem fosse o mesmo dos anjos caídos, em rebelião contra Deus, insatisfeito, sem um vislumbre de esperança. Arrazoava que se Deus perdoasse o homem pecador que havia criado, também perdoaria a ele e seus anjos, e receberia a todos, em Seu favor. Contudo, seria desapontado.

O divino Filho de Deus viu que nenhum instrumento, senão Ele próprio, poderia salvar o homem, e determinou salvá-lo. Deixou que os anjos caídos perecessem na sua rebelião, mas estendeu a mão para resgatar o homem que perecia. Os anjos que se rebelaram foram tratados de acordo com a luz e experiência que abundantemente haviam usufruído no Céu. Satanás, o chefe dos anjos caídos, tinha uma vez uma exaltada posição no Céu. Era o mais honrado depois de Cristo. O conhecimento que ele, bem como os anjos que com ele caíram, tinham do caráter de Deus, de Sua bondade, Sua misericórdia, sabedoria e excelente glória, tornou-lhes a culpa imperdoável.

Não havia possibilidade de esperança de redenção para estes que haviam testemunhado e compartilhado da glória inexprimível do Céu, tinham visto a terrível majestade de Deus e, em face de

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