Livro - Conselhos Sobre o Regime Alimentar | Ellen G. White Books

Conselhos Sobre o Regime Alimentar

CAPÍTULO 8

Controle do Apetite

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O Primeiro Pecado Foi a Falta de Domínio Próprio

Adão e Eva no Éden eram nobres em estatura e perfeitos em simetria e beleza. Estavam sem pecado e em perfeita saúde. Que contraste com a humanidade agora! A beleza perdeu-se. A saúde perfeita é desconhecida. Por toda parte vemos doenças, deformidade e imbecilidade. Perguntei a causa desta extraordinária degenerescência, e minha atenção foi chamada para o Éden. A maravilhosa Eva fora seduzida pela serpente a comer do fruto da única árvore que lhes fora ordenado por Deus não comessem, nem mesmo nele tocassem, para que não morressem.

Eva tinha tudo para ser feliz. Estava cercada de toda variedade de frutos. Contudo o fruto da árvore proibida pareceu-lhe mais desejável do que os frutos de todas as outras árvores do jardim de que ela podia comer livremente. Foi intemperante em seus desejos. Comeu, e por sua influência seu marido comeu também, e a maldição recaiu sobre ambos. E por causa do pecado deles a Terra foi também amaldiçoada. E desde a queda a intemperança tem existido sob quase todas as formas. O apetite tem dominado a razão. A família humana tem adotado uma conduta de desobediência, e, como Eva, tem sido induzida por Satanás a desrespeitar as proibições de Deus, iludindo-se com a suposição de que as conseqüências não seriam tão terríveis como se inferira. A família humana tem violado as leis da saúde, chegando ao excesso em quase todas as coisas. As enfermidades têm estado a progredir firmemente. À causa tem-se seguido o efeito. Spiritual Gifts, vol. 4, pág. 120.

Os Dias de Noé e os Nossos Dias

Jesus, assentado no Monte das Oliveiras, deu a Seus discípulos instruções concernentes aos sinais que deviam preceder


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Sua vinda: "E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem." Mat. 24:37-39. Os mesmos pecados que trouxeram juízos sobre o mundo nos dias de Noé, existem em nossos dias. Homens e mulheres levam os seus hábitos no comer e beber a tais extremos que terminam em glutonaria e bebedice. Este predominante pecado, a condescendência para com o apetite pervertido, inflamou as paixões dos homens nos dias de Noé, e levaram a generalizada corrupção. Violência e pecado alcançaram o Céu. Esta contaminação moral foi finalmente varrida da Terra por meio do dilúvio. Os mesmos pecados de glutonaria e embriaguez embotaram a sensibilidade moral dos habitantes de Sodoma, a ponto de parecer que o crime fosse o prazer de homens e mulheres da ímpia cidade. Cristo assim adverte o mundo: "Da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam. Mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, consumindo a todos. Assim será no dia em que o Filho do homem Se há de manifestar." Luc. 17:28 -30

Cristo nos deixou aqui uma importantíssima lição. Ele queria colocar perante nós o perigo de tornar nossos hábitos de comer e beber coisa suprema. Ele apresenta o resultado da incontrolável condescendência para com o apetite. As faculdades morais são debilitadas, de modo que o pecado não parece ser o que é. O crime é considerado levianamente, e as paixões controlam a mente, até que os bons princípios e bons impulsos são erradicados, e Deus é blasfemado. Tudo isto é o resultado de comer e beber em excesso. Esta é a própria condição daquilo que Cristo disse existiria por ocasião de Sua segunda vinda.

O Salvador nos apresenta alguma coisa mais elevada por que lutar, do que meramente o que comeremos, o que beberemos ou com que nos vestiremos. Comer, beber e vestir-se são levados a tais excessos que se tornam crime. Estão entre os assinalados pecados dos últimos dias, e constituem um sinal da breve volta de Cristo. Tempo, dinheiro e força,


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que pertencem ao Senhor, mas que Ele confia a nós, são gastos em superfluidade no vestir e em extravagâncias do apetite pervertido, que diminuem a vitalidade e trazem sofrimento e ruína. É impossível podermos apresentar a Deus nosso corpo como sacrifício vivo, quando o aviltamos de contínuo com corrupção e enfermidade em virtude de nossa própria pecaminosa condescendência. Christian Temperance and Bible Hygiene, págs. 11 e 12.

Uma das mais fortes tentações que o homem tem de enfrentar é em relação ao apetite. No princípio Deus fez o homem reto. Ele foi criado com perfeito equilíbrio mental, sendo plena e harmoniosamente desenvolvidos o tamanho e a força de todos os seus órgãos. Mas pela sedução do astucioso inimigo, a proibição de Deus foi desrespeitada e as leis da Natureza exercitaram sua plena penalidade. ...

Desde que se rendeu pela primeira vez ao apetite, a humanidade tem se tornado mais e mais indulgente para consigo mesma, de maneira que a saúde tem sido sacrificada no altar do apetite. Os habitantes do mundo antediluviano eram intemperantes no comer e beber. Alimentavam-se de carne, embora Deus ainda não houvesse dado ao homem qualquer permissão para ingerir alimento animal. Eles comiam e bebiam até que seu depravado apetite não conhecesse limites, e tornaram-se tão corrompidos que Deus não mais os pôde suportar. O copo de sua iniqüidade estava cheio, e Ele purificou a Terra de sua contaminação moral por meio de um dilúvio.

Sodoma e Gomorra

Ao se multiplicarem os homens sobre a Terra após o dilúvio, de novo se esqueceram de Deus, e corromperam seus caminhos perante Ele. Aumentou a intemperança em toda forma, até que quase o mundo todo estava entregue a sua influência. Cidades inteiras foram varridas da face da Terra por causa de degradantes crimes e revoltante iniqüidade que as fizeram uma mancha sobre o aprazível campo das obras que Deus criara. A satisfação ao apetite antinatural conduziu aos pecados que acarretaram a destruição de Sodoma e Gomorra. Deus atribui a queda de Babilônia a sua glutonaria e embriaguez. A condescendência para com o apetite e as paixões fora o fundamento de todos os seus pecados. Christian Temperance and Bible Hygiene, págs. 42 e 43.


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Esaú Vencido Pelo Apetite

Esaú, seduzido por um prato favorito, sacrificou sua primogenitura para satisfazer ao apetite. Satisfeito seu indulgente apetite, viu a loucura que cometera, mas não achou espaço para arrependimento, embora o tivesse buscado com diligência e com lágrimas. Muitíssimos há que são como Esaú. Ele representa uma classe que tem uma bênção especial, valiosa ao seu alcance - a herança imortal, a vida que dura tanto quanto a vida de Deus, o Criador do Universo, felicidade imensurável e um eterno peso de glória - mas que tem de tal maneira mostrado complacência para com o apetite, paixões e inclinações, que o seu poder de discernir e apreciar o valor das coisas eternas está enfraquecido.

Esaú teve um desejo forte, especial, por uma determinada espécie de alimento, e como estava habituado a satisfazer o eu não sentiu qualquer necessidade de fugir do prato tentador e cobiçado. Ficou pensando naquela comida e nenhum esforço fez para restringir o apetite, até que o poder do apetite derrubou qualquer outra consideração, e o controlou e ele imaginou que sofreria grande prejuízo, até mesmo a morte, se não conseguisse esse determinado prato. Quanto mais nele pensava, mais seu desejo era fortalecido, até que sua primogenitura, que era coisa sagrada, perdeu para ele o valor e a santidade. Testimonies, vol. 2, pág. 38.

O Desejo de Israel por Carne

Quando o Deus de Israel tirou o Seu povo do Egito, privou-os de alimento cárneo em grande medida, mas deu-lhes pão do Céu e água da dura rocha. Com isto não ficaram eles satisfeitos. Abominaram o alimento que lhes fora dado e desejaram voltar para o Egito, onde podiam sentar-se junto às panelas de carne. Preferiam suportar a escravidão, e até mesmo a morte, a serem privados da carne. Deus lhes satisfez o desejo, dando-lhes carne, e deixando-os comerem-na até que sua glutonaria gerou uma praga, em conseqüência da qual muitos morreram.


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Exemplos

Exemplo após exemplo poderia ser citado, para mostrar os efeitos do condescender com o apetite. A nossos primeiros pais pareceu coisa de pouca importância transgredir a ordem de Deus naquele único ato - comer do fruto de uma árvore tão linda à vista e tão agradável ao paladar - mas isso rompeu sua lealdade a Deus e abriu as comportas de um dilúvio de culpa e desgraça que tem inundado o mundo.

O Mundo Atual

O crime e a doença têm aumentado com cada geração sucessiva. A intemperança do comer e beber, e a condescendência com as paixões baixas, têm entorpecido as faculdades mais nobres do homem. A razão, em vez de ser dominadora, tornou-se escrava do apetite, numa extensão alarmante. Tem-se condescendido com um crescente desejo de alimento muito substancioso, até que se tornou moda abarrotar o estômago com todas as iguarias possíveis. Especialmente em festas de prazer, condescende-se com o apetite com pouca ou nenhuma restrição. Servem-se ricos almoços e jantares tardios, consistentes de alimentos muito temperados, com molhos condimentados, bolos, tortas, gelados, chá, café, etc. Não admira que, com semelhante regime, o povo tenha rosto pálido e sofra indizíveis torturas com dispepsia. Christian Temperance and Bible Hygiene, págs. 43 e 44.

O presente estado corrupto do mundo foi-me apresentado. Terrível era a cena. Tenho-me admirado de que os habitantes da Terra não foram destruídos, como o povo de Sodoma e Gomorra. Tenho visto razão suficiente para o presente estado de degeneração e mortalidade no mundo. A paixão cega controla a razão, e muitos sacrificam à concupiscência toda consideração elevada.

O primeiro grande mal foi a intemperança no comer e beber. Homens e mulheres têm-se tornado escravos do apetite. São intemperantes no trabalho. Grande quantidade de trabalho árduo é efetuado, para obter para suas mesas alimento que causa grande dano ao organismo já sobrecarregado. Mulheres passam grande parte de seu tempo inclinadas sobre um fogão aquecido, preparando o alimento, altamente adubado com condimentos que satisfaçam seu paladar.


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Em conseqüência são negligenciados os filhos, e não recebem instrução moral e religiosa. A mãe sobrecarregada de trabalho negligencia o cultivo de um temperamento brando, que deveria ser a luz do Sol no lar. Considerações de valor eterno tornam-se secundárias. Todo o tempo tem de ser empregado no preparo dessas coisas, para a satisfação do apetite - coisas que arruinam a saúde, azedam o temperamento e embotam as faculdades de raciocínio. Spiritual Gifts, vol. 4, págs. 131 e 132.

Por toda parte deparamos com a intemperança. Vemo-la nos carros, nos vapores, e aonde quer que vamos; e devemos perguntar a nós mesmos que estamos fazendo para salvar pessoas das garras do tentador. Satanás está constantemente alerta, para submeter a humanidade inteiramente ao seu controle. Seu mais forte poder sobre o homem exerce-se através do apetite, e este procura ele estimular de todos os modos possíveis. Todos os estimulantes artificiais são nocivos, e cultivam o desejo de beber. Como poderemos esclarecer o povo, e evitar os terríveis males que resultam do uso dessas coisas? Temos feito tudo que podíamos, nesta questão? Christian Temperance and Bible Hygiene, pág. 16.

Junto ao Altar do Apetite Pervertido

Deus concedeu a este povo grande luz; todavia não nos achamos além do alcance da tentação. Quem dentre nós está buscando auxílio dos deuses de Ecrom? Considerai este quadro - não pintado pela imaginação. Em quantos, mesmo entre os adventistas do sétimo dia, podem-se ver suas características principais? Um inválido - aparentemente muito consciencioso, todavia supersticioso e presumido - confessa francamente seu desprezo pelas leis da saúde e da vida que a misericórdia divina nos levou a aceitar como um povo. Sua comida precisa ser preparada de maneira a satisfazer seus desejos doentios. De preferência a sentar-se a uma mesa em que se ofereça comida saudável, favorecerá os restaurantes, porque aí pode satisfazer sem restrições o apetite. Fluente advogado da temperança, desconsidera-lhe os princípios fundamentais. Quer alívio, mas recusa-se a obtê-lo à custa de abnegação. Esse homem está adorando no altar do apetite pervertido. E um idólatra.


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As faculdades que, santificadas e enobrecidas, poderiam ser empregadas para a honra de Deus, são enfraquecidas e tornadas de pouco préstimo. Um temperamento irritável, cérebro confuso e nervos desenfreados, eis alguns dos resultados de sua desconsideração para com as leis naturais. Esse homem é ineficiente, não se pode confiar nele. Testimonies, vol. 5, págs. 196 e 197.

A Vitória de Cristo em Nosso Favor

No deserto da tentação Cristo defrontou as grandes tentações principais que assaltariam os homens. Ali enfrentou, sozinho, o inimigo astuto e sutil, vencendo-o. A primeira grande tentação teve que ver com o apetite; a segunda, com a presunção; a terceira, com o amor do mundo. Satanás tem vencido seus milhões, tentando-os a condescender com o apetite. Mediante a satisfação do paladar, o sistema nervoso torna-se irritado e debilita-se o poder do cérebro, tornando impossível pensar calma e racionalmente. Desequilibra-se a mente. Suas mais nobres e elevadas faculdades são pervertidas, servindo à concupiscência animal, e desprezam-se os interesses eternos e sagrados. Alcançado este objetivo, Satanás pode vir com suas outras duas tentações principais e encontrar pronto acesso. Suas múltiplas tentações provêm destes três grandes pontos principais. Testimonies, vol. 4, pág. 44.

De todas as lições a serem aprendidas da primeira grande tentação de nosso Senhor, nenhuma é mais importante do que a que diz respeito ao controle dos apetites e paixões. Em todos os séculos, as tentações mais atraentes à natureza física têm sido mais bem-sucedidas em corromper e degradar a humanidade. Satanás opera por meio da intemperança para destruir as faculdades mentais e morais concedidas por Deus ao homem como inestimável dom. Assim se torna impossível ao homem apreciar as coisas de valor eterno. Através de condescendências sensuais, busca ele apagar na alma todo traço de semelhança com Deus.

As irrefreadas satisfações da inclinação natural e a conseqüente enfermidade e degradação que existiam ao tempo do primeiro advento de Cristo, dominarão de novo, com intensidade agravada, antes de Sua segunda vinda. Cristo declara que as condições do mundo serão como nos dias anteriores


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ao dilúvio, e como em Sodoma e Gomorra. Todas as imaginações dos pensamentos do coração serão más continuamente. Vivemos mesmo ao limiar daquele terrível tempo, e a nós convém a lição do jejum do Salvador. Unicamente pela inexprimível angústia suportada por Cristo podemos avaliar o mal da irrefreada satisfação própria. Seu exemplo nos declara que nossa única esperança de vida eterna, é manter os apetites e paixões sob sujeição à vontade de Deus.

Olhando Para o Salvador

Em nossa própria força, nos é impossível escapar aos clamores de nossa natureza caída. Satanás nos trará tentações por esse lado. Cristo sabia que o inimigo viria a toda criatura humana, para se aproveitar da fraqueza hereditária e, por suas falsas insinuações, enredar todos cuja confiança não se firma em Deus. E, passando pelo terreno que devemos atravessar, nosso Senhor nos preparou o caminho para a vitória. Não é de Sua vontade que fiquemos desvantajosamente colocados no conflito com Satanás. Não quer que fiquemos intimidados nem desfalecidos pelos assaltos da serpente. "Tende bom ânimo", diz Ele, "Eu venci o mundo." João 16:33.

O que está lutando contra o poder do apetite olhe ao Salvador, no deserto da tentação. Veja-O em Sua angústia na cruz, ao exclamar: "Tenho sede"! João 19:28. Ele resistiu a tudo quanto nos é possível suportar. Sua vitória é nossa.

Jesus repousava na sabedoria e força de Seu Pai celeste. Declara: "O Senhor Jeová Me ajuda, pelo que Me não confundo, ... e sei que não serei confundido. Eis que o Senhor Jeová Me ajuda." Mostrando Seu exemplo, diz-nos: "Quem há entre vós que tema ao Senhor... Quando andar em trevas e não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor e firme-se sobre o seu Deus." Isa. 50:7, 9 e 10.

"Se aproxima o príncipe deste mundo", disse Jesus; "e nada tem em Mim." João 14:30. Nada havia nEle que correspondesse


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aos enganos de Satanás. Ele não consentia com o pecado. Nem por um pensamento cedia à tentação. O mesmo se pode dar conosco. A humanidade de Cristo estava unida à divindade; estava habilitado para o conflito, mediante a presença interior do Espírito Santo. E veio para nos tornar participantes da natureza divina. Enquanto a Ele estivermos ligados pela fé, o pecado não mais terá domínio sobre nós. Deus nos toma a mão da fé, e a leva a apoderar-se firmemente da divindade de Cristo, a fim de atingirmos a perfeição de caráter. O Desejado de Todas as Nações, págs. 122 e 123.

Satanás chega-se ao homem, como se chegou a Cristo, com suas esmagadoras tentações para condescender com o apetite. Ele bem conhece seu poder para vencer o homem neste ponto. Na questão do apetite venceu a Adão e Eva, no Éden, e perderam seu lar feliz. Que cúmulo de miséria e crime tem enchido nosso mundo em conseqüência da queda de Adão! Cidades inteiras foram apagadas da face da Terra, por causa dos degradantes crimes e da revoltante iniqüidade que as tornou uma mancha no Universo. A condescendência com o apetite foi a base de todos os seus pecados. Testimonies, vol. 3, pág. 561.

Cristo iniciou a obra da redenção exatamente onde começou a ruína. Sua primeira prova foi sobre o mesmo ponto em que Adão fracassou. Fora mediante tentações dirigidas ao apetite que Satanás vencera grande proporção da humanidade, e seu êxito fizera-o concluir que o controle deste planeta caído estava em suas mãos. Mas em Cristo viu ele Alguém capaz de resistir-lhe, e abandonou o campo de batalha como inimigo vencido. Diz Jesus: Ele "nada tem em Mim". João 14:30. Sua vitória é garantia de que também nós podemos sair vitoriosos em nossos conflitos com o inimigo. Mas não é propósito de nosso Pai celestial salvar-nos sem um esforço de nossa parte para cooperar com Cristo. Temos de fazer nossa parte, e o poder divino, unido ao nosso esforço, trará a vitória. Christian Temperance and Bible Hygiene, pág. 16.


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O Exemplo de Daniel

As tentações para condescender com o apetite possuem um poder que só se vence com o auxílio que Deus pode proporcionar. Temos, porém, a promessa de que, para cada tentação, haverá um meio de escape. Por que, então, são tantos os vencidos? É porque não põem em Deus a sua confiança. Não se prevalecem dos meios providos para sua segurança. As desculpas apresentadas para a satisfação do apetite pervertido, não são, pois, de nenhum peso perante Deus.

Daniel avaliava suas capacidades humanas, mas nelas não confiava. Sua confiança estava na força que Deus prometeu a todos os que forem ter com Ele em humilde dependência, confiando inteiramente no Seu poder.

Ele propôs em seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; pois sabia que semelhante regime não lhe fortaleceria as faculdades físicas nem aumentaria sua capacidade mental. Não usaria vinho, nem qualquer outro estimulante artificial; não faria coisa alguma que lhe entorpecesse a mente; e Deus lhe deu "o conhecimento e a inteligência em todas as letras e sabedoria", e também "entendimento em toda visão e sonhos". Dan. 1:17.

Os pais de Daniel educaram-no, em sua infância, em hábitos de estrita temperança. Haviam-lhe ensinado que devia conformar-se com as leis da Natureza em todos os seus hábitos; que seu comer e beber tinham influência direta sobre sua natureza física, mental e moral, e que ele era responsável a Deus por suas capacidades; pois considerava a todas como dom de Deus, e não devia, por qualquer procedimento, atrofiá-las ou mutilá-las. Em resultado deste ensino, em sua mente exaltava a lei de Deus, e a reverenciava no coração. Durante os primeiros anos de seu cativeiro, passou Daniel por uma prova severa que o devia familiarizar com a grandeza da corte, com a hipocrisia e o paganismo. Estranha escola,


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com efeito, para prepará-lo para uma vida de sobriedade, diligência e fidelidade! E todavia viveu incorrupto pela atmosfera do mal de que se achava rodeado.

A experiência de Daniel e seus jovens companheiros ilustra os benefícios que podem provir de um regime abstêmio, e mostra o que Deus fará em favor dos que com Ele cooperarem na purificação e enobrecimento da alma. Eram eles uma honra a Deus, e uma viva e brilhante luz na corte de Babilônia.

Nesta história ouvimos a voz de Deus dirigindo-se a nós individualmente, ordenando-nos que reunamos todos os preciosos raios de luz sobre este assunto da temperança cristã, e nos coloquemos na devida relação para com as leis da saúde. Christian Temperance and Bible Hygiene, págs. 22 e 23.

Que seria, se Daniel e seus companheiros se tivessem comprometido com aqueles funcionários pagãos, e tivessem cedido à pressão do momento, comendo e bebendo como era costumeiro entre os babilônios? Esse único exemplo de desvio do princípio ter-lhes-ia enfraquecido o senso da justiça e sua aversão ao mal. A condescendência com o apetite teria implicado no sacrifício do vigor físico, da clareza do intelecto e do poder espiritual. Um só passo errado, provavelmente teria levado a outros, até que, cortada sua ligação com o Céu, tivessem sido arrebatados pela tentação. Review and Herald, 25 de janeiro de 1881.

O Dever Cristão

Quando reconhecemos as ordens de Deus, vemos que Ele requer que sejamos temperantes em todas as coisas. A finalidade de nossa criação é glorificarmos a Deus em nosso corpo e nosso espírito, que a Ele pertencem. Como podemos fazer isso se condescendemos com o apetite, para prejuízo das faculdades físicas e morais? Deus requer que apresentemos nosso corpo em sacrifício vivo. É-nos, pois, imposto o dever de preservar esse corpo na melhor condição de saúde, a fim de que possamos cumprir o que Ele de nós


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requer. "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus." I Cor. 10:31. Testimonies, vol. 2, pág. 65.

Escreve o apóstolo Paulo: "Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado." I Cor. 9:24-27.

Há neste mundo muitos que condescendem com hábitos perniciosos. O apetite é a lei que os governa; e por causa de seus hábitos errôneos, o senso moral é embotado, e o poder de discernir as coisas sagradas é em grande parte destruído. Mas é necessário que os cristãos sejam estritamente temperantes. Devem colocar alto a norma. A temperança no comer, beber e vestir é essencial. Deve dominar o princípio, em vez do apetite ou da fantasia. Os que comem demais, ou cujo alimento é de qualidade objetável, são facilmente levados à dissipação, e a "muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína". I Tim. 6:9. Os "cooperadores de Deus" devem usar cada jota de sua influência para incentivar a propagação dos princípios da verdadeira temperança.

Significa muito ser fiel a Deus. Ele tem reivindicações sobre todos os que se empenham em Seu serviço. Deseja que espírito e corpo sejam preservados na melhor condição de saúde, cada faculdade e dom sob o controle divino, e tão vigorosos e cuidadosos como os possam tornar os hábitos de estrita temperança. Estamos sob obrigação a Deus, para nos consagrar sem reservas a Ele, corpo e alma, considerando todas as faculdades como dons por Ele confiados, para serem empregados em Seu serviço.

Todas as nossas energias e capacidades devem ser constantemente fortalecidas e aperfeiçoadas durante este período de graça. Unicamente os que apreciam estes princípios, e foram educados


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no sentido de cuidarem de seu corpo inteligentemente e no temor de Deus, devem ser escolhidos para assumirem responsabilidades nesta obra. Os que estão na verdade há muito tempo, mas não sabem distinguir entre os puros princípios de justiça e os princípios do mal, cuja compreensão com respeito à justiça, misericórdia e amor de Deus é obscura, devem ser aliviados de responsabilidades. Toda igreja precisa de um testemunho claro, vigoroso, dando à trombeta um sonido certo.

Se pudermos despertar as sensibilidades morais de nosso povo em relação ao assunto da temperança, grande vitória será alcançada. A temperança em todas as coisas desta vida deve ser ensinada e praticada. Temperança no comer, no beber, no dormir e vestir é um dos grandes princípios da vida religiosa. A verdade, introduzida no santuário da alma, há de dirigir no tratamento do corpo. Coisa alguma que diga respeito à saúde do agente humano deve ser considerada com indiferença. Nosso bem-estar eterno depende do uso que fizermos, nesta vida, de nosso tempo, força e influência. Testimonies, vol. 6, págs. 374 e 375.

Escravos do Apetite

Há uma classe de pessoas que professam crer na verdade, e que não usam fumo, rapé, chá, ou café, e no entanto são culpadas de satisfazer o apetite de modo diferente. Anseiam por pratos altamente condimentados, com molhos muito fortes, e seu apetite tornou-se tão pervertido que não se satisfazem nem mesmo com carne, a menos que seja preparada da maneira mais prejudicial. O estômago torna-se febril, os órgãos digestivos são sobrecarregados, e ainda o estômago tem de trabalhar arduamente para desincumbir-se da carga que lhe é imposta. Depois de efetuar sua tarefa, o estômago fica exausto, o que causa desfalecimento. Aqui é onde muitos se enganam, pensando que é a falta de alimento que produz tal sensação, e sem darem ao estômago tempo para descansar, tomam mais alimento, o que no momento afasta o esmorecimento. E quanto mais se condescende com o apetite, tanto mais clamará ele por satisfação. Esse desfalecimento é em geral o resultado de comer carne, e comê-la freqüentemente, e em excesso. ...


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Por ser moda, e estar em harmonia com o apetite doentio, são amontoados no estômago bolos substanciosos, tortas e pudins e tudo que é prejudicial. A mesa tem de estar repleta de variedade de pratos, ou não se satisfaz o apetite pervertido. De manhã esses escravos do apetite muitas vezes têm hálito impuro e língua saburrosa. Não desfrutam saúde, e ficam a pensar por que seria que sofrem dores, dor de cabeça e vários males. Muitos comem três vezes por dia, e ainda antes de deitar-se. Dentro de pouco tempo os órgãos digestivos ficam gastos, porque não tiveram tempo para descansar. Esses tornam-se miseráveis dispépticos, e indagam o que assim os teria tornado. A causa trouxe o resultado seguro. Não se deve jamais tomar a segunda refeição antes que o estômago tenha tido tempo para descansar do trabalho de digerir a refeição anterior. Se se quiser tomar uma terceira refeição, seja então leve, e várias horas antes do deitar.

Muitos são tão devotados à intemperança que sob consideração nenhuma quererão mudar seu procedimento de condescender com a glutonaria. Prefeririam sacrificar a saúde e morrer prematuramente, a restringir o intemperante apetite. E muitos há que são ignorantes da relação que seu comer e beber tem com a saúde. Pudessem esses ser esclarecidos, e talvez tivessem coragem moral para negar-se ao apetite, e comer mais comedidamente, e unicamente da espécie de alimento saudável, poupando-se, por seu procedimento, grande quantidade de sofrimento.

Educar o Apetite

Pessoas que têm cedido ao apetite para comer livremente carne, molhos ricamente condimentados, e várias espécies de substanciosos bolos e conservas, não se satisfazem imediatamente com um regime simples, saudável e nutritivo. Seu paladar está tão pervertido que não têm apetite para um regime saudável de frutas, pão simples e verduras. Nem devem esperar que logo ao princípio sintam prazer em alimento tão diverso daquele com que condescenderam alimentar-se. Se não podem desde o princípio ter prazer em alimentos simples, devem jejuar até que tenham. Esse jejum se lhes demonstrará de maior benefício do que os remédios, pois o abusado estômago


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encontrará o repouso de que havia tanto necessitava, e a verdadeira fome se satisfará com um regime simples. Levará tempo para o paladar recuperar-se dos abusos que sofreu e voltar ao seu tom natural. Mas a perseverança na adoção de um regime abnegado de comer e beber bem depressa tornará agradável o alimento simples e saudável, e logo este será ingerido com maior satisfação do que frui o gastrônomo com suas ricas iguarias.

O estômago assim não fica febril e sobrecarregado de alimentos, mas acha-se em condição sadia, podendo de pronto efetuar sua tarefa. Não deve haver demora na reforma. Devem fazer-se esforços para preservar cuidadosamente a força que resta das forças vitais, evitando qualquer carga excessiva. O estômago talvez nunca mais recupere saúde plena, mas o procedimento acertado na questão do regime poupará novas debilidades, e muitos ficarão mais ou menos recuperados, a menos que tenham ido muito longe no suicídio glutão.

Os que se permitem tornar-se escravos de um apetite glutão, muitas vezes vão mais longe ainda, degradando-se mediante a condescendência com suas paixões corruptas, que se tornaram estimuladas pela intemperança no comer e beber. Dão rédea solta a suas paixões degradantes, até que a saúde e o intelecto vêm a sofrer grandemente. As faculdades de raciocínio são, em grande medida, destruídas pelos maus hábitos. Spiritual Gifts, vol. 4, págs. 129-131.

Efeitos da Condescendência, Física, Mental e Moral

Muitos estudantes são deploravelmente ignorantes quanto ao fato de que o regime exerce poderosa influência sobre a saúde. Alguns há que jamais fizeram um esforço resoluto para controlar o apetite, ou observar regras apropriadas em relação ao regime alimentar. Comem demasiado, mesmo em suas refeições, e alguns comem entre as refeições, toda vez que se apresente a tentação. Se os que professam ser cristãos desejarem resolver as questões que lhes são tão embaraçosas, isto é, a razão de terem a mente sempre tão embotada, e de serem tão débeis suas aspirações religiosas, não precisarão, em muitos casos, ir para além da mesa; aqui há causa suficiente, se outra não existe.

Muitos, por sua condescendência com o apetite, separam-se de Deus. Aquele que nota a queda de um pardal, que conta os próprios cabelos de nossa cabeça, anota o pecado dos que condescendem


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com o apetite pervertido a expensas do enfraquecimento das forças físicas, do embotamento do intelecto, e do amortecimento das percepções morais. Christian Temperance and Bible Hygiene, pág. 83.

Futuro Dia de Remorso

Muitos se incapacitam para o trabalho, mental e fisicamente, pelo excesso em comer e pela satisfação de paixões concupiscentes. Fortalecem-se as tendências animais, enquanto a natureza moral e espiritual se debilita. Quando estivermos junto ao grande trono branco, que registro apresentará então a vida de muitos! Então verão o que poderiam ter feito se não tivessem aviltado as faculdades que Deus lhes concedera. Então reconhecerão que alturas de grandeza intelectual poderiam ter atingido, se tivessem dado a Deus toda a força mental e física que lhes confiara. Em sua agonia de remorso ansiarão poder viver de novo toda a sua vida. Testimonies, vol. 5, pág. 135.

Deve Ser Restringido o Apetite Não Natural

A Providência tem guiado o povo de Deus para fora dos extravagantes hábitos do mundo, fora da condescendência com o apetite e a paixão, para se colocarem sobre a plataforma da renúncia e da temperança em todas as coisas. O povo ao qual Deus dirige será um povo peculiar. Não serão semelhantes ao mundo. Se seguirem a guia de Deus, cumprirão Seus propósitos, e cederão sua vontade à vontade dele. Cristo habitará em seu coração. O templo de Deus será santo. Vosso corpo, diz o apóstolo, é templo do Espírito Santo. Deus não requer que Seus filhos se neguem a si mesmos para prejuízo da força física. Requer que obedeçam à lei natural, a fim de preservarem a saúde física. O caminho da Natureza é o que Ele assinala, e é largo bastante para qualquer cristão. Com mão pródiga proveu-nos Deus rica e variada abundância, para nosso sustento e prazer. Mas para fruirmos o apetite natural, que conserve a saúde e prolongue


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a vida, Ele restringe o apetite. Diz Ele: Cuidado! refreie, negue o apetite não natural. Se criamos um apetite pervertido, violamos as leis de nosso ser, e assumimos a responsabilidade de abusar do nosso corpo e de atrair as doenças sobre nós. Christian Temperance and Bible Hygiene, págs. 150 e 151.

Os que têm sido instruídos com relação aos efeitos prejudiciais do uso da alimentação cárnea, do chá e do café, bem como de comidas muito condimentadas, e que estão resolvidos a fazer com Deus um concerto com sacrifício, não hão de continuar a satisfazer o seu apetite com alimentos que sabem ser prejudiciais à saúde. Deus requer que o apetite seja dominado, e se pratique a renúncia no tocante às coisas que fazem mal. É esta uma obra que tem de ser feita antes que o povo de Deus possa ser apresentado perfeito diante dele. Testimonies, vol. 9, págs. 153 e 154.

Deus não mudou, nem Se propõe a mudar nosso organismo físico, a fim de que possamos violar uma única lei sem sentir os efeitos de sua violação. Muitos, porém, cerram deliberadamente os olhos para a luz. ... Condescendendo com suas inclinações e apetites, violam as leis da vida e saúde; e se obedecerem à consciência, terão de ser controlados pelo princípio, em seu comer e vestir, e não ser guiados pela inclinação, a moda e o apetite. Health Reformer, setembro, 1871.

A Utilidade dos Obreiros de Deus

Depende do Controle do Apetite

Apresentai ao povo a necessidade de resistir à tentação de condescender com o apetite. Aqui é onde muitos estão falhando. Explicai quão intimamente se relacionam corpo e espírito, e mostrai a necessidade de conservar ambos nas melhores condições. ...

Todos os que condescendem com o apetite, que esbanjam as energias físicas e enfraquecem o poder moral, mais cedo ou mais tarde sentirão a retribuição que segue à transgressão das leis físicas.

Cristo deu a vida para adquirir a redenção ao pecador. O Redentor do mundo sabia que a condescendência com o apetite estava acarretando a debilidade física e embotando as faculdades perceptivas, de modo que as coisas sagradas e eternas não podiam


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ser discernidas. Sabia Ele que a condescendência consigo mesmo estava pervertendo as faculdades morais e que a grande necessidade do homem era a conversão - do coração, espírito e alma, da vida de condescendência própria para outra de abnegação e sacrifício. Queira o Senhor ajudar-vos, como servo Seu, a apelar para os pastores e despertar as igrejas adormecidas. Estejam em harmonia vossos esforços como médico e pastor. Para isso é que são estabelecidos nossos hospitais - para pregar a verdade da verdadeira temperança. ...

Como um povo, temos de reformar-nos, e especialmente os pastores e professores da Palavra carecem de reformar-se. Sou instruída a dizer a nossos pastores e aos presidentes de nossas associações: Vossa utilidade como obreiros de Deus na obra de recuperar pessoas a perecer, depende muito de vosso êxito em vencer o apetite. Vencei o desejo de satisfazer ao apetite e se isto fizerdes, vossas paixões serão controladas facilmente. Serão então mais fortes vossas faculdades mentais e morais. "E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho." Apoc. 12:11. Carta 158, 1909.

Apelo a um Coobreiro

O Senhor vos escolheu para fazerdes a Sua obra, e se trabalhardes cuidadosamente, prudentemente, e puserdes vossos hábitos de comer sob estrito controle do conhecimento e da razão, tereis muito mais horas agradáveis e confortáveis do que se agirdes imprudentemente. Aplicai os freios, ponde sob estrita guarda vosso apetite, e então deixai-vos nas mãos de Deus. Prolongai vossa vida pela cuidadosa supervisão de vós mesmos. Carta 49, 1892.

A Abstinência Aumenta o Vigor

Os homens que se empenham em dar ao mundo a última mensagem de advertência, mensagem destinada a decidir o destino das pessoas, devem em sua vida fazer uma aplicação prática das verdades que pregam aos outros. Devem ser exemplos ao povo em seu comer e beber, e em sua conversa e comportamento puros. A glutonaria, a condescendência com as paixões baixas, e pecados ofensivos, são, por muitos professos


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representantes de Cristo através do mundo, ocultados sob as vestes da santidade. Há homens de excelentes habilidades naturais cujo trabalho não realiza a metade do que poderia realizar se fossem temperantes em todas as coisas. A condescendência com o apetite e paixão embota a mente, diminui a força física e enfraquece o poder moral. Seus pensamentos não são claros. Suas palavras não são proferidas com poder, não são vitalizadas pelo Espírito de Deus de modo que alcancem o coração dos ouvintes.

Como nossos primeiros pais perderam o Éden por causa da condescendência com o apetite, nossa única esperança de recuperar o Éden está na firme negação do apetite e da paixão. A abstinência no regime, e o controle de todas as paixões, preservará o intelecto e dará vigor mental e moral, habilitando os homens a colocarem todas as suas propensões sob o controle das faculdades mais elevadas, e a discernir entre o certo e o errado, entre o sagrado e o comum. Todos os que têm uma verdadeira intuição do sacrifício feito por Cristo ao deixar Seu lar no Céu para vir a este mundo a fim de que pudesse por Sua própria vida mostrar ao homem como resistir à tentação, prazerosamente se negarão a si mesmos, escolhendo ser participantes de Cristo em Seus sofrimentos.

O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Os que vencem, como Cristo venceu, precisarão guardar-se constantemente contra as tentações de Satanás. O apetite e as paixões devem ser refreados e postos sob o controle de uma consciência esclarecida, para que o intelecto possa ficar equilibrado, as faculdades perceptivas claras, de modo que as operações de Satanás e suas ciladas não sejam interpretadas como sendo a providência de Deus. Muitos desejam a recompensa final e a vitória que hão de ser dadas aos vencedores, mas não estão dispostos a suportar a labuta, privações e negação de si mesmos, como fez seu Redentor. É unicamente pela obediência e contínuo esforço que seremos vencedores, como Cristo venceu.

O dominador poder do apetite demonstrar-se-á a ruína de milhares, quando, se houvessem vencido neste ponto, teriam tido poder moral para alcançar a vitória sobre todas as outras tentações de Satanás. Mas os que são escravos do apetite falharão em aperfeiçoar um caráter cristão. A contínua transgressão do homem por seis mil anos, trouxe, como seus frutos, doença, dor e morte.


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E ao nos aproximarmos do fim do tempo, as tentações de Satanás para condescendermos com o apetite serão mais poderosas e mais difíceis de ser vencidas. Testimonies, vol. 3, págs. 490-492.

Relação dos Hábitos com a Santificação

É impossível, a quem quer que seja, fruir a bênção da santificação enquanto for egoísta e glutão. Estes gemem sob um peso de enfermidades por causa dos maus hábitos em comer e beber, que fazem violência às leis da vida e saúde. Muitos estão enfraquecendo seus órgãos digestivos pela condescendência com o apetite pervertido. O poder da constituição humana para resistir aos abusos que lhe são impostos é maravilhoso; mas o persistir nos maus hábitos de comer e beber em excesso, debilitará todas as funções do corpo. Que essas pessoas debilitadas considerem o que poderiam ter sido se tivessem vivido de forma temperante, e promovido a saúde em vez de abusar dela. Na satisfação do apetite pervertido e da paixão, mesmo os professos cristãos mutilam a natureza em sua obra e diminuem a força física, mental e moral. Alguns que isto estão fazendo, afirmam ser consagrados a Deus; mas tal afirmação não tem base. ...

"O filho honrará o pai, e o servo, ao seu senhor; e, se Eu sou Pai, onde está a Minha honra? E, se Eu sou Senhor, onde está o Meu temor? - diz o Senhor dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o Meu nome e dizeis: Em que desprezamos nós o Teu nome? Ofereceis sobre o Meu altar pão imundo e dizeis: Em que Te havemos profanado? Nisto, que dizeis: A mesa do Senhor é desprezível. Porque, quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não faz mal! E, quando ofereceis o coxo ou o enfermo, não faz mal! Ora, apresenta-o ao teu príncipe; terá ele agrado em ti? Ou aceitará ele a tua pessoa? - diz o Senhor dos Exércitos. Agora, pois, suplicai o favor de Deus, e Ele terá piedade de nós: isto veio da vossa mão; aceitará Ele a vossa pessoa? - diz o Senhor dos Exércitos." Mal. 1:6-9.

Demos cuidadosa atenção a estas advertências e repreensões. Embora dirigidas ao Israel antigo, não menos são aplicáveis ao povo de Deus de hoje. E devemos considerar as palavras do


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apóstolo, nas quais ele apela para seus irmãos, a fim de que, pelas misericórdias de Deus, apresentem seu corpo "em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus". Rom. 12:1. Esta é a verdadeira santificação. Não é mera teoria, ou emoção, ou uma fórmula de palavras, mas um vivo e ativo princípio, que penetra na vida cotidiana. Requer que nossos hábitos de comer, beber e vestir sejam de modo que facultem a preservação da saúde física, mental e moral, a fim de que possamos apresentar ao Senhor nosso corpo - não como oferta corrompida por hábitos errados, mas - "sacrifício vivo, santo e agradável a Deus". Rom. 12:1

Que ninguém que professe piedade considere com indiferença a saúde do corpo, e se lisonjeie pensando não ser pecado a intemperança, e não afetar sua espiritualidade. Existe íntima afinidade entre a natureza física e a moral. Review and Herald, 25 de janeiro de 1881.

Decisão

Negar o apetite requer decisão de caráter. Por falta dessa decisão, multidões se arruínam. Fracos, maleáveis, fáceis de ser guiados, muitos homens e mulheres fracassam completamente quanto a tornar-se aquilo que Deus deseja que sejam. Os que são destituídos de decisão de caráter não podem ter êxito na tarefa diária de vencer. O mundo está cheio de homens e mulheres embrutecidos, intemperantes e débeis mentais, e quão difícil lhes é tornarem-se cristãos genuínos!

Que diz o grande Médico-Missionário? - "Se alguém quiser vir após Mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-Me." Mat. 16:24. É obra de Satanás tentar os homens a tentar seus semelhantes. Ele se esforça por induzir os homens a serem coobreiros seus, em sua obra de destruição. Esforça-se por levá-los a entregar-se tão completamente à condescendência com o apetite e às empolgantes diversões e loucuras que a natureza humana anseia, mas que a Palavra de Deus proíbe decididamente, que podem ser postos na categoria de seus auxiliares - a trabalhar com ele a fim de destruir a imagem de Deus no homem.

Pelas fortes tentações de principados e potestades [Efés. 6:12], muitos são enredados. Escravos do capricho do apetite, tornam-se embrutecidos e degradados. ...


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"Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus." I Cor. 6:19 e 20.

Os que têm a constante intuição de se acharem nesta relação para com Deus não colocarão no estômago alimento que agrade o apetite, mas faça mal aos órgãos digestivos. Não arruinarão a propriedade de Deus condescendendo com hábitos impróprios de comer, beber ou vestir. Tomarão grande cuidado com a máquina humana, reconhecendo que isto devem fazer a fim de trabalhar em parceria com Deus. Ele deseja que sejam sadios, felizes e úteis. Para isto serem, porém, devem colocar a sua vontade ao lado da vontade de Deus. Carta 166, 1903.

Sedutoras tentações de ceder à concupiscência da carne, à concupiscência dos olhos e à soberba da vida, hão de ser encontradas a cada passo. O exercício do firme princípio, e o estrito controle dos apetites e paixões, em nome de Jesus o Vencedor, tão-somente, nos conduzirão em segurança através da vida. Health Reformer, maio de 1878.

A Fútil Tentativa de Reformar-se Gradualmente

Dizem alguns, quando se faz um empenho em esclarecê-los neste ponto [uso de bebidas alcoólicas e fumo]: Deixarei pouco a pouco. Satanás, porém, ri-se ante semelhantes decisões. Diz ele: Estão seguros em meu poder. Neste terreno, não tenho receio quanto a eles. Ele sabe, porém, que não tem poder sobre o homem que, quando os pecadores o incitam, tem coragem moral para dizer positiva e categoricamente: Não! Semelhante pessoa despediu a companhia do maligno, e enquanto se apega a Cristo, está segura. Acha-se onde anjos celestiais se podem comunicar com ele, concedendo-lhe poder moral para vencer. Manuscrito 86, 1897.

O Apelo de Pedro

O apóstolo Pedro compreendia a relação entre a mente e o corpo, e ergueu a voz em advertência aos seus irmãos:


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"Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma." I Ped. 2:11. Muitos consideram este texto como advertência contra a licenciosidade, tão-somente; tem, porém, sentido mais amplo. Proíbe toda a satisfação prejudicial, do apetite ou paixão. Todo apetite pervertido torna-se uma concupiscência que combate contra a alma. O apetite nos foi dado para um bom propósito, não para tornar-se instrumento da morte mediante sua perversão, degenerando assim nas "concupiscências que combatem contra a alma". ...

A força da tentação para condescender com o apetite só pode ser medida pela inexprimível angústia de nosso Redentor naquele longo jejum, no deserto. Sabia Ele que a condescendência com o apetite pervertido de tal modo embotaria as percepções do homem que não discerniria as coisas sagradas. Adão caiu pela condescendência com o apetite; Cristo venceu pela negação do apetite. E nossa única esperança de reaver o Éden está no firme domínio próprio. Se o poder da condescendência com o apetite era tão forte sobre os homens que, para lhe quebrar as garras, o divino Filho de Deus, em favor do homem, teve de suportar um jejum de quase seis semanas, que tarefa se depara ao cristão! Entretanto, por grande que seja a luta, ele pode vencer. Pelo auxílio daquele poder divino que resistiu às mais ferozes tentações que Satanás podia inventar, ele, também, pode ter inteiro êxito em sua guerra contra o mal, e poderá no final ter na fronte a coroa do vencedor, no reino de Deus. Christian Temperance and Bible Hygiene, págs. 53 e 54.

Pelo Poder da Vontade e a Graça de Deus

Pelo apetite, Satanás controla a mente e o ser todo. Milhares que poderiam ter vivido, passaram para o túmulo como fragmentos físicos, mentais e morais, porque sacrificaram todas as suas faculdades à condescendência com o apetite. É hoje muito maior do que era várias gerações atrás, a necessidade dos homens desta geração de chamar em seu auxílio o poder da vontade, fortalecido pela graça de Deus, a fim de resistir às tentações de Satanás, e opor-se à menor condescendência com o apetite pervertido. Mas a geração atual tem menos poder de domínio próprio do que tinham os que viviam naquele tempo. Christian Temperance and Bible Hygiene, pág. 37.


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Poucos são os que têm força moral para resistir à tentação, especialmente quanto ao apetite, e para praticar a renúncia. Para alguns é demasiado forte para ser resistida, a tentação de ver outros tomarem a terceira refeição; e imaginam estar com fome, quando essa sensação não é um pedido do estômago para se alimentar, mas um desejo da mente que não foi fortalecida mediante princípio firme e disciplinada na negação própria. Os muros do domínio próprio e da restrição própria, em nenhum caso devem ser enfraquecidos e derribados. Paulo, o apóstolo aos gentios, diz: "Subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado." I Cor. 9:27.

Os que não vencem em coisas pequeninas, não terão poder moral para resistir a tentações maiores. Testimonies, vol. 4, pág. 574.

Considerai cuidadosamente vosso regime. Estudai da causa para o efeito. Cultivai o domínio de vós mesmos. Mantende o apetite sob o domínio da razão. Nunca abuseis do estômago, comendo excessivamente, mas não vos priveis da comida saudável e saborosa que a saúde exige. A Ciência do Bom Viver, pág. 323.

Em vossa associação com incrédulos, não vos permitais desviar-vos dos retos princípios. Se vos sentais à sua mesa, comei temperantemente e só de alimento que não confunda a mente. Guardai-vos da intemperança. Não podeis enfraquecer vossas faculdades mentais ou físicas, sem vos tornardes incapazes para discernir as coisas espirituais. Conservai a mente em tal estado que Deus possa impressioná-la com as preciosas verdades de Sua Palavra. Testimonies, vol. 6, pág. 336.

Questão de Coragem

Alguns de vós parecem desejar que alguém lhes diga quanto devem comer. Não deveria ser assim. Cumpre-nos proceder de um ponto de vista moral e religioso. Devemos ser temperantes em tudo, pois uma coroa incorruptível, um tesouro celeste se acha diante de nós. E agora


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desejo dizer a meus irmãos e irmãs, que eu teria força moral para tomar uma atitude e governar-me a mim mesma. Não delegaria isto a outra pessoa. Comeis em excesso, e depois vos arrependeis, e ficais a pensar no que comestes e bebestes. Comei simplesmente o que mais convém, e ide adiante, sentindo-vos sem culpa diante do Céu, sem remorsos de consciência. Não cremos na completa remoção de tentações, seja de crianças, seja de adultos. Todos nós temos diante de nós uma luta, e cumpre-nos permanecer na atitude de resistir às tentações de Satanás; e precisamos saber que possuímos em nós mesmos poder para fazer isto. Testimonies, vol. 2, pág. 374.

É-me dada uma mensagem para vos transmitir: Comei em períodos regulares. Mediante hábitos errôneos de comer, estais vos preparando para sofrimento futuro. Nem sempre é seguro aceitar convites para refeições, mesmo que sejam feitos por vossos irmãos e amigos, que vos desejam prodigalizar muitas espécies de pratos. Sabeis que podeis comer duas ou três espécies de alimento numa refeição, sem dano para vossos órgãos digestivos. Quando sois convidados para uma refeição, evitai a muita variedade de alimento que os que fizeram o convite vos põem na frente. Isto tereis de fazer se quiserdes ser uma sentinela fiel. Quando é posto à nossa frente o alimento que, se for tomado, causaria aos órgãos digestivos horas de trabalho árduo, não devemos, se tomarmos esse alimento, culpar das conseqüências os que o colocam à nossa frente. Deus espera que decidamos por nós mesmos comer tão-somente o alimento que não cause sofrimento aos órgãos digestivos. Carta 324, 1905.

Vitória Mediante Cristo

Cristo feriu a batalha no terreno do apetite, e saiu vitorioso; e nós também podemos vencer, pelo poder dele recebido. Quem entrará pelas portas na cidade? - Não os


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que declaram não poder romper com a força do apetite. Cristo resistiu ao poder daquele que nos queria prender em escravidão; conquanto enfraquecido por Seu longo jejum de quarenta dias, resistiu Ele à tentação, provando por esse ato que nossos casos não são sem esperança. Bem sei que não podemos alcançar sozinhos a vitória; e quão gratos devemos ser por termos um Salvador vivo, pronto e disposto para nos ajudar! Christian Temperance and Bible Hygiene, pág. 19.

Uma vida nobre e pura, uma vida vitoriosa sobre o apetite e a concupiscência, é possível a todo aquele que quiser unir a sua vontade humana, fraca e vacilante, à onipotente e inabalável vontade de Deus. A Ciência do Bom Viver, pág. 176.

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