Livro - Beneficência Social | Ellen G. White Books

Beneficência Social

CAPÍTULO 33

O Chamado Para uma Obra Equilibrada

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Manter a Devida Perspectiva

Com o progresso da obra, surgem perigos que precisam ser evitados. Ao se abrirem novos empreendimentos, há a tendência de tornar um setor todo absorvente; e aquilo, que devia ter a primazia torna-se de importância secundária. As igrejas necessitam de renovação de poder e vitalidade, mas há o grande perigo de empreender novas atividades da obra que desgastarão suas energias em vez de levar vida à igreja. The Daily Bulletin of the General Conference, 2 de março de 1899.

Não Deve Ser o Motivo Principal de Nossa Obra

Ultimamente [1899] um grande interesse tem surgido em favor dos pobres e excluídos; uma grande obra tem sido iniciada para o reerguimento dos caídos e degradados. Esta é em si uma boa obra. Devemos ter sempre o Espírito de Cristo e fazer a mesma classe de trabalho que Ele fez pela humanidade sofredora. O Senhor tem uma obra a ser feita pelos mais pobres. Nada há a objetar visto que é dever de alguns trabalhar entre eles e procurar salvar as pessoas que estão perecendo. Isto terá seu lugar em conexão com a proclamação da terceira mensagem angélica e a aceitação da verdade da Bíblia. Mas há o perigo de se sobrecarregar cada pessoa com esta espécie de trabalho, em vista da intensidade com que é conduzido. Há o perigo de homens de liderança centralizarem suas energias neste setor, quando Deus os chamou para outra espécie de trabalho.

A grande questão de nosso dever para com a humanidade é séria, e muito da graça de Deus é necessário em


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como trabalhar de maneira a promover o maior bem. Nem todos são chamados a iniciar o seu trabalho servindo as classes mais baixas. Deus não requer que Seus obreiros obtenham sua educação e treino para se devotarem exclusivamente a essas classes. A operação de Deus é manifestada de maneira a estabelecer confiança no fato de que a obra é de Seu conselho, e que saudáveis princípios sustentam cada ação. Mas eu tenho recebido instrução de Deus de que há perigo de planejar para os mais pobres de tal maneira que haverá movimentos espasmódicos ou não contínuos. Isso não produzirá resultados realmente benéficos. Uma classe será encorajada a fazer uma espécie de trabalho que resultará no mínimo em fortalecer todas as partes da obra pela ação harmoniosa.

O convite do Evangelho deve ser dado aos ricos e aos pobres, aos elevados e aos humildes, e precisamos descobrir meios de levar a verdade a novos lugares e a todas as classes de pessoas. O Senhor nos ordena: "Saí pelos caminhos e atalhos e força-os a entrar, para que a Minha casa se encha." Luc. 14:23. Ele diz: "Começai nas vias públicas; trabalhai inteiramente nas vias públicas; preparai um grupo que unido convosco possa ir e fazer aquela mesma obra que Cristo faria na busca e salvação dos perdidos."

Cristo pregou o evangelho aos pobres, mas não confiou Sua obra a essa classe. Ele trabalhou por todos que estivessem dispostos a ouvir Sua palavra - não apenas pelos publicanos e pecadores, mas pelo rico e culto fariseu, o nobre judeu, o centurião e o governador romano. Esta é a espécie de obra que eu sempre vejo dever ser feita. Nós não devemos esforçar cada tendão e nervo espiritual para trabalhar pelas classes mais baixas, e fazer dessa tarefa o todo e o tudo. Há outros a quem devemos levar ao Mestre, pessoas que necessitam da verdade, que


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estão levando responsabilidades e que trabalharão com toda a sua santificada habilidade pela alta sociedade como também pelos mais pobres.

A obra pelos pobres não tem limite. Ela nunca pode ser concluída e precisa ser tratada como parte do grande todo. Dar nossa primeira atenção a esta obra, enquanto há vastas porções da vinha do Senhor abertas à cultura e ainda não tocadas, é começar no lugar errado. O que é o braço direito para o corpo é a obra médico-missionária para a terceira mensagem angélica. Mas o braço direito não deve tornar-se todo o corpo. A obra de buscar os excluídos é importante, mas não deve tornar-se a grande preocupação de nossa missão. Manuscrito 3, 1899.

Não Chamados Para Construir Lares

Para Mulheres Abandonadas e Crianças

Precisamos falar claramente com respeito a algumas coisas que precisam ser consideradas com cautela. Não nos devemos dedicar ao trabalho de manter lares para mulheres abandonadas ou crianças. Esta responsabilidade pode melhor ser satisfeita por famílias que devem cuidar dos que necessitam ajuda neste setor. Carta 11, 1900.

O Senhor não nos dá indicações de que devemos construir edifícios para o cuidado de crianças, embora esta seja uma boa obra para o presente tempo. Deixai que o mundo faça tudo que desejar nesse sentido. Nosso tempo e meios devem ser investidos numa orientação diferente de trabalho. Precisamos levar a última mensagem de misericórdia da maneira mais apropriada para alcançar os que nas igrejas estão famintos e orando por luz. Carta 232, 1899.

"Vede os Campos Brancos Para a Ceifa"

Este trabalho é uma atividade todo-absorvente, mas não está na indicação de Deus. É um trabalho infindável, e se conduzido como no passado, todas as


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faculdades do povo de Deus serão requeridas para contrabalançá-lo, e a obra de preparar um povo que resista em meio aos perigos dos últimos dias jamais será feita.

Nossa obra é tomar a armadura e mover um combate ofensivo. Não devem os obreiros ser encorajados a trabalhar nas vielas e recantos sórdidos das cidades onde apenas conseguirão conversas que necessitam vigilância, e isto continuamente. Há campos completamente prontos para a ceifa, e todo o tempo e dinheiro não devem ser devotados à busca dos que pela indulgência para com o apetite têm-se exercitado na poluição. Alguns desses podem ser salvos. E há os que podem trabalhar nos lugares inferiores da Terra sem se corromperem no caráter. Mas não é seguro dedicarem-se rapazes e moças a esta espécie de trabalho. O experimento sairia caro. Assim os que poderiam trabalhar em setores de importância ficariam desqualificados para qualquer espécie de trabalho. ...

Os homens podem sentir-se profundamente movidos em seus sentimentos ao verem os seres humanos sofrendo como resultado de sua própria conduta. Há os que são especialmente impressionados a entrar em contato direto com esta classe, e o Senhor dá-lhes a comissão de trabalhar nos piores lugares da Terra, fazendo o que podem para redimir pervertidos e colocá-los onde estejam sob os cuidados da igreja. Mas o Senhor não chamou os Adventistas do Sétimo Dia para fazerem desta obra uma especialidade. Ele não deseja que nesta obra se monopolizem os obreiros ou se esgote o tesouro. Manuscrito 16, 1900.

Sustento do Mundo e não das Igrejas

Constante trabalho deve ser feito pelos da classe baixa, mas isto não deve tornar-se todo-absorvente. ... Ninguém deve visitar agora nossas igrejas e na presente


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situação arrancar delas fundos para sustentar a obra de libertar os excluídos. Os meios para o sustento dessa obra devem vir, e virão, em grande parte dos que não são de nossa fé. Dediquem-se as igrejas à obra que lhes é indicada de apresentar verdades dos oráculos de Deus nos pontos de maior importância. Carta 138, 1898.

O Senhor não põe sobre o Seu povo todo o fardo de trabalhar por uma classe tão endurecida pelo pecado que muitos deles jamais serão beneficiados ou beneficiarão a outros. Se há homens que podem assumir o trabalho pelos mais degradados, se Deus põe sobre eles o fardo de trabalhar pelas massas de várias maneiras, que vão e reclamem do mundo os meios requeridos para este trabalho. Não devem depender dos recursos que Deus destina ao sustento da obra da terceira mensagem angélica. Testimonies, vol. 6, pág. 246.

Nações Esperando Pela luz

Aos que supõem que o Senhor lhes entregou a tarefa de cuidar das massas promíscuas das classes baixas, que se têm arruinado a si mesmas, muitos dos quais continuarão a fazer como têm feito no passado, ao mesmo tempo que se sustentam dos meios dados a eles pelos Adventistas do Sétimo Dia, o Senhor diz: Quem vos entregou esta tarefa? Há pessoas e nações que ainda devem receber a luz da verdade para este tempo. A mensagem do evangelho deve ser exaltada e tornar-se extensa.

Em cada lugar onde a mensagem é proclamada, os obreiros missionários devem ir com suas Bíblias na mão. As pessoas devem ser convertidas e estabelecidas na verdade. Uma casa de reuniões deve ser construída. Dos crentes deve a luz irradiar, pois devem ser como uma cidade edificada sobre um monte. A igreja deve ser nesse lugar uma testemunha do que a verdade pode fazer. Carta 41, 1900.

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