Livro - Vida de Jesus | Ellen G. White Books

Vida de Jesus

CAPÍTULO 10

Os Ensinos de Cristo

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Entre os judeus, a religião havia-se tornado uma simples observância de rituais. À medida que se afastavam do verdadeiro culto a Deus e perdiam o poder de Sua palavra, haviam tentado suprir o conteúdo espiritual com cerimônias e tradições inventadas por eles.

Somente o sangue de Cristo pode purificar o pecado. Somente Seu poder pode livrar o homem de pecar. Mas os judeus dependiam de suas próprias obras e cerimônias de sua religião para ganharem a salvação. Por causa do zelo com que se dedicavam ao desempenho dos atos exteriores, julgavam-se justos e dignos de ocupar um lugar no reino de Deus.

Suas esperanças fixavam-se nas grandezas do mundo. Anelavam riquezas e poder que achavam ser o prêmio merecido de sua suposta piedade.

Aguardavam o estabelecimento do reino do Messias na Terra e Ele haveria de dominar como um grande príncipe entre os homens. Cada bênção e favor terrenos esperavam receber por ocasião de Sua vinda.

Jesus sabia que suas esperanças seriam frustradas. Ele tinha vindo ensinar a eles algo muito melhor do que procuravam.


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Seu objetivo era restaurar o verdadeiro culto a Deus. Ele devia trazer a religião com pureza de coração que se manifestaria em uma vida reta e em um caráter santo.

O Sermão da Montanha

Em seu belo sermão da montanha, Jesus explicou o que Deus considera mais precioso e o que proporciona verdadeira felicidade.

Os discípulos de Cristo haviam sido influenciados pelos ensinos dos rabinos e foi para esses discípulos que as primeiras lições de Cristo foram destinadas. Do mesmo modo, elas se destinam a nós pois precisamos aprender as mesmas coisas.

"Bem-aventurados os humildes de espírito", disse Cristo. Mat. 5:3. Os pobres de espírito são aqueles que reconhecem sua própria pecaminosidade e necessidade espiritual. Sabem que em si mesmos nada podem fazer de bom. Desejam receber auxílio de Deus e para eles é dada essa bênção.

"Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos." Isa. 57:15.

"Bem-aventurados os que choram." Mat. 5:4. Isso não significa murmurar ou viver em lamúrias, nem apresentar uma disposição amarga e um semblante mal-humorado, mas a bem-aventurança refere-se aos que se entristecem verdadeiramente por seus pecados e buscam o perdão de Deus.

A todos esses Ele perdoará generosamente. O Senhor diz:

"Tornarei o seu pranto em júbilo e os consolarei; transformarei em regozijo a sua tristeza." Jer. 31:13.

"Bem-aventurados os mansos." Mat. 5:5. Disse Jesus: "Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma." Mat. 11:29. Quando era maltratado, Jesus pagava o mal com o bem.


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Nisso, Ele nos deu exemplo para que agíssemos do mesmo modo.

"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça." Mat. 5:6. Justiça é a prática de ações corretas. É obediência à lei de Deus, pois nessa lei tais princípios estão arrolados. A Bíblia diz: "Todos os Teus mandamentos são justiça." Sal. 119:172.

Por Seu próprio exemplo, Cristo nos ensinou a obedecer tais preceitos. A justiça da lei é vista em Sua própria vida. Temos fome e sede de justiça quando desejamos ter pensamentos, palavras e ações semelhantes aos de Cristo.

E podemos ser semelhantes a Ele se desejarmos. Podemos ter nossa vida como Sua vida e nossas ações em harmonia com a lei de Deus. O Espírito Santo trará o amor de Deus ao coração de modo que nos deleitaremos em cumprir Sua vontade.

Deus está mais disposto a dar o Seu Espírito do que os pais desejam dar boas dádivas aos seus filhos. Sua promessa é: "Pedi, e dar-se-vos-á." Luc. 11:9. Todos os "que têm fome e sede de justiça... serão fartos." Mat. 5:6.

"Bem-aventurados os misericordiosos." Mat. 5:7. Ser misericordioso é tratar as pessoas melhor do que merecem. Assim Deus nos tem tratado. Ele tem prazer em atos de misericórdia. É compassivo para com os ingratos e maus.

Do mesmo modo nos ensina a tratar os semelhantes: "Sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou." Efés. 4:32.

"Bem-aventurados os limpos de coração." Mat. 5:8. Deus dá mais valor ao que somos do que àquilo que dizemos que somos. Ele não se importa com nossa aparência exterior;


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o que deseja é que sejamos puros de coração, então todos os nossos atos e palavras serão justos.

Davi orava: "Cria em mim, ó Deus, um coração puro." Sal. 51:10. "As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na Tua presença, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!" Sal. 19:14. Essa deve ser a nossa oração.

"Bem-aventurados os pacificadores." Mat. 5:9. Aquele que tem o espírito manso e humilde de Cristo será um pacificador. Tal disposição não provoca discussões ou devolve palavras iradas. Antes, torna o lar um lugar feliz e traz uma suave atmosfera de paz que envolve a todos.

"Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça." Mat. 5:10. Jesus sabia que por amor a Ele muitos de seus discípulos seriam lançados na prisão e muitos seriam mortos, mas aconselhou-os a não se entristecer por isso.

Nada pode causar dano àqueles que amam e seguem a Jesus. Ele os acompanhará em todos os lugares. Podem ser mortos por causa do evangelho, mas Cristo lhes dará a vida eterna e uma coroa de glória.

E de seu exemplo, outros aprenderiam a respeito do amável Salvador. Cristo disse aos discípulos:

"Vós sois a luz do mundo." Mat. 5:14. Em breve, Ele partiria do mundo para o lar celestial, mas os discípulos deveriam ensinar aos outros a respeito do Seu amor. Deveriam ser luzes entre os homens.

A luz do farol, brilhando na escuridão, guia os navios ao porto com segurança; do mesmo modo, os seguidores de Cristo brilham neste mundo escuro, para guiar os homens ao lar celestial.


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Isso é o que todos os seguidores de Cristo devem fazer. Ele os chama para serem cooperadores na salvação de outros.

Amor: a Base da Lei

Tais ensinamentos eram estranhos e novos para os ouvintes de Jesus e por isso, Ele os repetiu muitas vezes. Certa vez, um doutor da lei veio à Sua presença e Lhe perguntou: "Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo." Luc. 10:25-27. Em vez de arrepender-se, porém, buscou uma escusa para seu egoísmo. "Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?" Luc. 10:29.

Sacerdotes e rabinos, com freqüência, discutiam sobre esse assunto. Não consideravam os pobres e os ignorantes como seu próximo e nem lhes dispensava bondade. Jesus não participou de suas discussões, mas respondeu com uma história que havia acontecido há algum tempo.

Certo homem, disse Ele, descia de Jerusalém para Jericó. O caminho era íngreme e pedregoso, através de uma região deserta e agreste. No meio da viagem foi assaltado por ladrões e despojado de tudo o que levava. Bateram nele e deixaram-no ferido e quase morto.

Enquanto ali estava, desceram pela mesma estrada primeiro um sacerdote e depois um levita do templo de Jerusalém, mas ao invés de ajudá-lo passaram pelo outro lado do caminho, ignorando-o.


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Esses homens haviam sido escolhidos para ministrar no templo de Deus e deveriam ser como o Senhor a quem serviam, cheio de bondade e misericórdia, mas seus corações eram frios e insensíveis.

Depois de certo tempo, um samaritano se aproximou. Os samaritanos eram desprezados e odiados pelos judeus. Aos que pertenciam a esse povo, nada recebiam dos judeus, nem mesmo água para beber ou um pedaço de pão. Mas o samaritano não parou para pensar nisso. Nem mesmo cogitou que os assaltantes ainda poderiam estar por perto espreitando o caminho.

Ali jazia o pobre homem, sangrando e quase morto. O samaritano tirou sua túnica e nela envolveu o ferido.

Deu-lhe seu próprio vinho e tratou seus ferimentos com azeite. Depois colocou-o sobre o animal e levou-o a uma hospedaria, onde cuidou dele a noite toda.

No dia seguinte, antes de partir, pagou ao hospedeiro para que cuidasse dele até que se recuperasse. Assim narrou o fato; depois, voltando-se para o doutor da lei, perguntou-lhe: "Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?" O doutor respondeu: "O que usou de misericórdia para com ele." Disse-lhe então Jesus: "Vai e procede tu de igual modo." Luc. 10:36 e 37.

Assim Jesus ensinou que qualquer pessoa que precisar de ajuda é nosso próximo. Devemos tratá-lo como gostaríamos de ser tratados.

O sacerdote e o levita pretendiam guardar os mandamentos de Deus, mas era o samaritano que realmente os guardava. Seu coração era terno e compassivo.

Ao socorrer o estranho ferido, ele havia demonstrado amor a Deus e ao próximo. É agradável ao Senhor que façamos o bem uns aos outros,


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pois assim demonstramos nosso amor a Ele e àqueles que nos cercam.

Um coração bondoso e compassivo vale mais do que todas as riquezas do mundo. Os que vivem para fazer o bem mostram que são filhos de Deus. Esses são os que habitarão com Cristo em Seu reino.

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