Livro - Vida de Jesus | Ellen G. White Books

Vida de Jesus

CAPÍTULO 18

Perante Anás e Caifás

VJ - Pag. 113  

Jesus foi levado do Jardim do Getsêmani cercado pela turba que o vaiava. Movia-se com dificuldade pois Suas mãos estavam fortemente atadas e os soldados guardavam-No bem de perto.

Primeiro foi levado à casa de Anás, o antigo sumo sacerdote cujo cargo havia sido ocupado por seu genro, Caifás. O ímpio Anás queria ser o primeiro a ver Jesus preso e tirar dEle provas que O levariam à condenação.

Com essa intenção, interrogou o Salvador em relação aos Seus discípulos e ensinamentos. Cristo respondeu:

"Eu tenho falado francamente ao mundo; ensinei continuamente tanto nas sinagogas como no templo, onde todos os judeus se reúnem, e nada disse em oculto." João 18:20.

Então, voltando-Se para o que O interrogava, disse: "Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram." João 18:21.

Os próprios sacerdotes tinham enviado espiões para observar Cristo


VJ - Pag. 114  

e relatar cada palavra que dizia. Através deles, sabiam tudo o que Cristo ensinava e fazia em cada reunião. Os espiões tentavam apanhá-Lo em Suas próprias palavras para que, desse modo, pudessem condená-Lo. Por isso o Salvador disse: "Pergunta aos que ouviram." João 18:21. Dirigi-vos aos vossos espiões. Eles ouviram o que Eu disse e podem contar-vos a respeito dos meus ensinos.

As palavras de Jesus foram tão penetrantes e diretas que o sacerdote sentiu que o seu Prisioneiro conhecia suas intenções.

Um dos servos de Anás, porém, sentindo que seu mestre não havia sido tratado com o devido respeito , bateu no rosto de Jesus, dizendo:

"É assim que falas ao sumo sacerdote? Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se falei bem, por que Me feres?" João 18:22 e 23.

Jesus poderia ter convocado legiões de anjos celestes para vir em Seu auxílio; mas, era parte de Sua missão suportar, em Sua humanidade, todas as ofensas e insultos que os homens pudessem acumular sobre Ele.

Julgamento Forjado

Da casa de Anás, o Salvador foi levado ao palácio de Caifás. Ele deveria ser interrogado pelo Sinédrio e enquanto seus membros eram convocados, Anás e Caifás O questionaram outra vez, mas não obtiveram vantagem sobre Ele.

Quando os membros do Sinédrio estavam reunidos, Caifás tomou seu lugar de presidente, ladeado pelos juízes; diante deles, os soldados romanos guardavam o Salvador; atrás deles encontrava-se a turba acusadora.

Caifás então ordenou que Jesus operasse um de Seus milagres diante de todos, mas o Salvador permanecendo em silêncio, não deu nenhum sinal de que tinha ouvido uma palavra sequer.


VJ - Pag. 115  

Tivesse Ele respondido com um único olhar penetrante e cheio de autoridade tal qual lançara aos comerciantes no templo e toda aquela turba homicida fugiria imediatamente de Sua presença.

Naquela época, os judeus estavam sob o domínio dos romanos e não eram autorizados a condenar ninguém à morte. O Sinédrio apenas examinava o prisioneiro e então transferia o julgamento para ser ratificado pelas autoridades romanas.

Para cumprir seu ímpio propósito, deveriam encontrar alguma acusação contra o Salvador que fosse considerada como um ato criminoso pelo governador romano. Podiam assegurar que tinham suficientes evidências de que Cristo havia falado contra muitas tradições e ordenanças judaicas. Era fácil provar que Ele havia denunciado sacerdotes e escribas, chamando-os de hipócritas e assassinos, mas isso não seria motivo de condenação perante os romanos, pois eles mesmos odiavam a hipocrisia dos fariseus.

Muitas acusações foram apresentadas contra Jesus mas ou as testemunhas não estavam de acordo, ou os depoimentos eram de tal natureza que não seriam aceitos pelos romanos. Tentaram fazê-Lo falar, em resposta às acusações, mas Ele parecia não ouvi-los. O silêncio de Cristo naquele momento, já havia sido descrito pelo profeta Isaías:

"Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, Ele não abriu a boca." Isa. 53:7.

Os sacerdotes começaram a temer que não conseguiriam nenhuma prova convincente que pudesse levar Cristo à presença de Pilatos. Sentiam que uma última tentativa precisava ser feita.


VJ - Pag. 116  

O sumo sacerdote apontou a mão para o Céu e dirigiu-se a Jesus, em forma de solene juramento:

"Eu Te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se Tu és o Cristo, o Filho de Deus." Mat. 26:63.

O Salvador jamais negou Sua missão ou Seu relacionamento com o Pai. Podia calar-Se diante de um insulto, mas sempre falava aberta e decididamente quando Sua obra ou filiação divina eram questionadas.

Todo ouvido inclinou-se para ouvir e todo olhar fixou-se nEle, quando respondeu: "Tu o disseste." Mat. 26:25.

Segundo o costume da época, responder daquele modo significava "sim" ou "é tal qual disseste". Essa era a maneira de responder de modo mais enfático a uma resposta afirmativa. Uma luz celestial pareceu iluminar-Lhe o rosto pálido quando acrescentou:

"Entretanto, Eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu." Mat. 26:64.

Nessa declaração, o Salvador apresentou o reverso da cena que ali se desenrolava, apontando-lhes um tempo em que Ele ocupará a posição de Supremo Juiz do Céu e da Terra. Então estará assentado no trono do Pai e de Suas sentenças não haverá apelação.

Diante de Seus ouvintes, trouxe uma visão daquele dia, quando, ao invés de sofrer abusos e escárnios da turba desordeira, virá nas nuvens do Céu com poder e grande glória. Legiões de anjos O escoltarão e então pronunciará a sentença contra Seus inimigos, achando-se entre eles a mesma turba que O acusava.


VJ - Pag. 117  

Ao Jesus declarar-se Filho de Deus e Juiz do mundo, o sacerdote rasgou suas vestes, mostrando-se horrorizado. Ergueu as mãos para o Céu e disse:

"Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia! Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte." Mat. 26:65 e 66.

Segundo as leis judaicas, um prisioneiro não podia ser julgado à noite. Por isso, embora já condenado, deveria haver um outro julgamento durante o dia.

Insultando o Criador

Jesus foi levado, em seguida, para a sala da guarda onde sofreu escárnio e abuso dos soldados e da multidão.

Ao amanhecer, foi Ele conduzido novamente à presença dos juízes onde a condenação definitiva foi pronunciada. Uma fúria satânica apossou-se dos líderes e do povo. A multidão urrava como feras selvagens. Arremeteram então contra Cristo, gritando: "Ele é culpado, matem-No!" Se os soldados romanos não estivessem presentes, eles O teriam feito em pedaços. Porém, a autoridade romana se interpôs, e, com a força das armas, reprimiu a violência do povo.

Sacerdotes e príncipes misturaram-se à multidão e cobriram o Salvador de insultos. Vestiram-No com um manto surrado e bateram-Lhe no rosto, dizendo:

"Profetiza-nos, Cristo, quem é que Te bateu!" Mat. 26:68.

E havendo-O despido, cuspiram-Lhe no rosto.

Os anjos de Deus registraram fielmente cada insulto,


VJ - Pag. 118  

olhar, palavra e ato contra seu amado Comandante. Um dia aqueles homens vis que escarneceram e bateram no rosto pálido e sereno de Cristo, contemplarão esse mesmo rosto mais brilhante do que o Sol.

<< Capítulo Anterior Próximo Capítulo >>