Conselhos Sobre Educação

CAPÍTULO 2

Nosso Colégio

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A educação e preparo da juventude é uma obra importante e solene. O grande objetivo a alcançar deve ser o adequado desenvolvimento do caráter, de modo que o indivíduo esteja corretamente habilitado para desempenhar os deveres da vida presente e entrar afinal na imortal vida futura. A eternidade revelará a maneira em que a obra tem sido feita. Se pastores e professores tivessem plena consciência de suas responsabilidades, veríamos um diferente estado de coisas no mundo hoje. Mas eles são demasiado estreitos em seus pontos de vista e propósitos. Não compreendem a importância do seu trabalho ou os seus resultados.

Deus não poderia fazer pelo homem mais do que fez ao dar o Seu amado Filho, nem poderia fazer menos e ainda assim garantir a redenção do homem e manter a dignidade da lei divina. Ele derramou em nosso benefício todo o tesouro do Céu, pois ao dar o Seu Filho abriu para nós os portões dourados do Céu, fazendo um infinito dom àqueles que aceitarem o sacrifício e voltarem à obediência a Deus. Cristo veio ao nosso mundo com amor em Seu coração, tão amplo quanto a eternidade, propondo-Se fazer do homem o herdeiro de todas as Suas riquezas e glória. Neste ato Ele desvelou ao homem o caráter de Seu Pai, mostrando a cada ser humano que Deus pode ser justo e ainda assim justificador daquele que tem fé em Jesus.

A Majestade do Céu não Se agradou a Si mesma. Fosse o que fosse que fizesse era em consideração à salvação do homem. O egoísmo em todas as suas formas via-se repreendido em Sua presença. Ele assumiu nossa natureza para poder sofrer em nosso lugar, fazendo de Sua alma uma oferta pelo pecado. Foi ferido de Deus e afligido para salvar o homem do golpe que ele merecia em virtude da transgressão da lei de Deus. Pela luz que da cruz refulge, Cristo Se propôs atrair todos os homens a Si. Seu humano coração afligia-Se pela humanidade. Seus braços estavam abertos para recebê-los; e convidou a todos para que a Ele viessem. Sua vida na Terra foi um ato contínuo de abnegação e condescendência.


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Visto como o homem custou tanto ao Céu, isto é, o preço do amado Filho de Deus, quão cuidadosos devem os pastores, professores e pais ser no trato das almas que foram levadas sob sua influência! É uma bela obra, tratar com mentes, e deve-se cumpri-la com temor e tremor. Os educadores da juventude devem manter perfeito domínio próprio. Destruir a influência de alguém sobre uma alma humana, pela impaciência ou para manter indevida dignidade e supremacia, é um terrível erro, pois pode ser o meio de perder para Cristo essa alma. As mentes juvenis podem tornar-se tão deformadas por uma orientação imprudente, que o dano causado pode nunca mais ser vencido completamente. A religião de Cristo deve ter uma influência controladora sobre a educação e preparo dos jovens. O exemplo do Salvador, de abnegação, bondade universal e longânimo amor, é uma repreensão aos pastores e professores impacientes. Ele pergunta a esses instrutores impetuosos: "É esta a maneira em que tratais as almas pelas quais dei Minha vida? Não tendes em maior estima o infinito preço que paguei por sua redenção?"

Todos os que estiverem ligados a nosso colégio devem ser homens e mulheres que tenham diante de si o temor de Deus e Seu amor no coração. Devem tornar sua religião atraente aos jovens que estiverem dentro de sua esfera de influência. Os professores devem constantemente sentir sua dependência de Deus. Sua obra está neste mundo, mas sua Fonte de sabedoria e conhecimento, da qual precisam tirar de contínuo, está no alto. O eu não deve predominar. O Espírito de Deus precisa controlar. Devem andar humildemente com Deus e sentir sua responsabilidade, que não é menor que a do pastor. A influência que os professores exercem sobre a juventude em nosso colégio será conduzida aonde quer que esses jovens forem. Uma sagrada influência deve partir deste colégio para fazer face às trevas morais presentes por toda parte. Quando me foi mostrado pelo anjo de Deus que uma instituição devia ser estabelecida para educação de nossos jovens, vi que este seria um dos maiores meios ordenados por Deus para a salvação de almas.


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Os que esperam ter sucesso na educação dos jovens devem aceitá-los como são, não como deviam ser nem como serão quando saírem de sob sua instrução. Estarão sob prova com estudantes lentos, e precisam suportar com paciência sua ignorância. Precisam tratar terna e bondosamente com estudantes sensíveis, nervosos, lembrando que terão no futuro de enfrentar os seus estudantes diante do tribunal de Cristo. O senso de suas próprias imperfeições deve levar constantemente o educador a abrigar sentimentos de terna simpatia e perdão em relação àqueles que estão lutando com as mesmas dificuldades. Eles podem ajudar os seus estudantes, não por relevar-lhes os defeitos, mas por fielmente corrigir ao que erra, de tal modo que o reprovado se ligue ainda mais ao coração do professor.

Deus uniu velhos e jovens pela lei da mútua dependência. Os educadores da juventude devem mostrar altruístico interesse pelos cordeiros do rebanho, conforme o exemplo que Cristo deu em Sua vida. Há muito pouca terna piedade, e demasiado da empertigada dignidade do juiz severo. Justiça exata e imparcial deve ser distribuída a todos, pois a religião de Jesus requer isto; mas deve-se lembrar sempre que a firmeza e a justiça têm uma irmã, que é a misericórdia. Manter-se a distância dos estudantes, tratá-los com indiferença, mostrar-se inabordável, ríspido, censor, é contrário ao espírito de Cristo.

Precisamos individualmente abrir o coração ao amor de Deus, vencer o egoísmo e a dureza, e deixar que Jesus tome