Livro - Temperança | Ellen G. White Books

Temperança

CAPÍTULO 8

Nosso Amplo Programa de Temperança

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O que Envolve a Verdadeira Temperança

Atingir o Mais Elevado Grau de Perfeição

"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." I Cor. 10:31.

Apenas um prazo de vida nos é concedido; e a pergunta, para todos, devia ser: Como posso empregar minha vida de maneira que ela me traga o maior proveito? Como posso fazer o máximo para glória de Deus e benefício de meus semelhantes? Pois a vida só é de valor na proporção em que é empregada para realização desses objetivos.

Nosso primeiro dever para com Deus e nosso semelhante é o nosso próprio desenvolvimento. Toda faculdade com que o Criador nos dotou deve ser cultivada ao máximo grau de perfeição, para que sejamos capazes de produzir a maior soma de bem que nos seja possível. Daí ser bem empregado o tempo gasto em firmar e conservar boa saúde física e mental. Não nos podemos permitir entravar ou mutilar uma única função da mente ou do corpo por excesso de trabalho ou por maltrato de qualquer parte do mecanismo vivo. Se assim fizermos, certo é sofrermos as conseqüências.

Intemperança, no verdadeiro sentido da palavra, encontra-se à base da maior parte dos males da vida, e destrói anualmente suas dezenas de milhares. Pois a intemperança não se limita ao uso de bebidas intoxicantes; tem mais amplo significado, e inclui as nocivas satisfações de qualquer apetite ou paixão. Signs of the Times, 17 de novembro de 1890.


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Excessos no Comer, Beber, Dormir e Ver

Excessiva condescendência quanto ao comer, beber, dormir ou ver, é pecado. A ação harmônica saudável de todas as faculdades do corpo e da mente produz felicidade; quanto mais elevadas e apuradas as faculdades, tanto mais pura e perfeita é a felicidade. Testimonies, vol. 4, pág. 417.

Temperança na Alimentação

Os princípios de temperança devem ser mais abrangentes do que a mera abstenção de bebidas alcoólicas. O uso de alimento estimulante e indigesto é, muitas vezes, tão ofensivo à saúde como aquelas, e em muitos casos lança as sementes da embriaguez. A verdadeira temperança nos ensina a dispensar inteiramente todas as coisas nocivas, e usar judiciosamente aquilo que é saudável. Poucos há que se compenetram, como deviam, do quanto seus hábitos no regime alimentar têm que ver com sua saúde, seu caráter, sua utilidade neste mundo e seu destino eterno. O apetite deve sempre estar sob a sujeição das faculdades morais e intelectuais. O corpo deve ser o servo da mente, e não a mente a serva do corpo. Patriarcas e Profetas, pág. 562.

Comer Demasiado Freqüente ou Demais

Os que comem e trabalham intemperantemente e irracionalmente, falam e procedem irracionalmente. Não é necessário tomar bebidas alcoólicas para ser intemperante. O pecado do comer intemperante - comer demasiado freqüente, em demasia e de alimentos suculentos, indigestos - destrói a ação saudável dos órgãos digestivos, afeta o cérebro, e perverte o discernimento, impedindo o pensar e agir racional, calmo e sadio. Christian Temperance and Bible Hygiene, pág. 155.

Aqueles que, depois de haverem recebido o conhecimento, não querem comer e beber segundo o princípio em vez de ser regido pelo apetite, não serão tenazes quanto a reger-se por princípios em outras coisas. Health Reformer, agosto de 1866.

Temperança no Vestuário

O povo de Deus deve aprender o significado


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de temperança em tudo. Cumpre-lhes praticar temperança no comer, beber e vestir. Toda condescendência consigo mesmo deve ser afastada de sua vida. Antes de eles poderem compreender realmente o sentido da santificação genuína e da conformidade com a vontade de Cristo, precisam, pela cooperação com Deus, obter o domínio de hábitos e costumes errôneos. Manuscrito 16, 1902.

Temperança no Trabalho

Devemos ser temperantes no trabalho. Não é dever nosso colocar-nos em situação de ficar sobrecarregados. Alguns poderão às vezes achar-se em condição em que isto seja necessário; deve, porém, ser exceção, não regra. Cumpre-nos exercer temperança em tudo. Caso honremos o Senhor fazendo a nossa parte, Ele, pela Sua, conserva-nos a saúde. Devemos ter sensato domínio de todos os nossos órgãos. Sendo temperantes no comer, beber, vestir, trabalhar, e em tudo, podemos fazer por nós mesmos o que médico algum poderá. Manuscrito 41, 1908.

Viver de Capital Emprestado

Existe por toda parte intemperança em quase tudo. Os que fazem grandes esforços para realizar determinada soma de trabalho em dado tempo, e continuam a trabalhar quando seu discernimento lhes diz que devem repousar, não levam a melhor. Estão vivendo de capital emprestado. Gastam a força vital de que necessitarão futuramente. E ao ser exigida a energia que usaram tão descuidadamente, falham por minguar-lhes essa energia. Foi-se-lhes a resistência física, esgotaram-se as faculdades mentais. Compreendem que sofreram uma perda, mas não sabem qual. Chegou-lhes o tempo de necessidade, mas acham-se exaustos seus recursos físicos.

Todo aquele que transgride as leis da saúde, deve um dia sofrer em maior ou menor grau. Deus nos proveu de força constitucional, a qual será necessária em diferentes períodos de nossa vida. Se esgotarmos imprudentemente essa força por contínua sobrecarga, seremos por vezes os prejudicados. Nossa


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utilidade decrescerá, se não for destruída a própria vida. Fundamentos da Educação Cristã, págs. 153 e 154.

Trabalho no Início da Noite

Em regra, o trabalho do dia não deve ser prolongado até à noite. ... Foi-me mostrado que, os que isso fazem, perdem às vezes muito mais do que ganham, pois suas energias são esgotadas, e eles trabalham sob provocação nervosa. Talvez não percebam qualquer dano imediato, mas com certeza estão abalando sua constituição. Conselhos Sobre Saúde, pág. 99.

Temperança no Estudo

A intemperança no estudo é uma espécie de intoxicação, e aqueles que com ela condescendem, à semelhança do bêbado, desviam-se das veredas seguras, e tropeçam e caem nas trevas. O Senhor quer que todo estudante conserve em mente que devemos ter em vista, unicamente, a glória de Deus. Ele, o estudante, não deve debilitar e gastar as faculdades mentais e físicas em buscar obter todo conhecimento possível das ciências, mas cumpre-lhe conservar o brilho e o vigor de todas as suas energias para se empenhar na obra que o Senhor lhe designou em auxiliar almas a encontrar a vereda da justiça. Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, pág. 365.

Intemperança no Buscar Riquezas

Uma das mais frutíferas fontes de constituições arruinadas entre os homens é o devotamento à aquisição de dinheiro, o imoderado desejo das riquezas. Eles limitam sua vida à perseguição única do dinheiro, sacrificam o repouso, o sono, e os confortos da existência a esse objetivo. Sua construção naturalmente boa é alquebrada, estabelece-se a doença como resultado do maltrato de suas forças físicas, e a morte vem finalizar a cena de uma existência pervertida. Nem um centavo daquela fortuna pode esse homem levar consigo, ele que a adquiriu a tão terrível preço. Dinheiro, palácios e ricos vestuários, nada lhe vale agora; o trabalho de sua vida é mais que inútil. Health Reformer, abril de 1877.

Guardar Cada Fibra do Ser

Cada órgão, cada fibra do ser, deve ser cuidadosamente


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guardada contra todo costume prejudicial, caso não queiramos achar-nos entre o número daqueles que Cristo representa como andando no mesmo caminho desonroso do mundo antediluviano. Os que fazem parte desse número destinar-se-ão à destruição, porque persistiram em levar hábitos legais a extremos, e criaram e condescenderam com outros que não se fundamentam na natureza, que se tornam concupiscências antagônicas. ...

A massa dos habitantes deste mundo estão destruindo por si mesmos a verdadeira base do mais alto interesse terrestre. Estão destruindo seu poder de domínio próprio, e tornando-se incapazes de apreciar as realidades eternas. Voluntariamente ignorantes do próprio organismo, dirigem seus filhos na mesma senda da condescendência consigo mesmos, fazendo com que sofram a pena da transgressão das leis da natureza. ...

Nossos hábitos de comer e beber mostram se somos do mundo ou estamos no número daqueles que o Senhor com Seu poderoso machado da verdade separou do mundo. Estes são Seu povo peculiar, zeloso de boas obras. Manuscrito 86, 1897.

Temperança em Tudo

A fim de conservar a saúde, é necessária a temperança em tudo - temperança no trabalho, temperança no comer e no beber. Nosso Pai celeste mandou a luz da reforma de saúde para guardar-nos dos maus resultados de um apetite pervertido, para que os que amam a pureza e a santidade saibam usar com discrição as boas coisas que Ele lhes providenciou, e a fim de que, exercendo temperança na vida diária, sejam santificados pela verdade. Christian Temperance and Bible Hygiene, pág. 52.

Os advogados da temperança devem colocar sua norma em plataforma mais ampla. Seriam então colaboradores de Deus. Devem, com cada jota de sua influência, estimular a disseminação dos princípios da reforma. Manuscrito 86, 1897.


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O Corpo, um Templo

A Responsabilidade do Cristão

"Não sabeis vós", pergunta Paulo, "que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo." I Cor. 3:16 e 17. O homem é obra das mãos de Deus, Sua obra-prima, criada para elevado e santo desígnio; e em toda parte do tabernáculo humano Deus deseja escrever Sua lei. Todo nervo e músculo, todo dote mental e físico, deve ser conservado puro.

É desígnio de Deus que o corpo seja um templo para Seu Espírito. Quão solene, então, é a responsabilidade que repousa sobre toda alma! ... Quantos há, beneficiados com razão e inteligência, talentos que devem ser empregados para glória de Deus, os quais deliberadamente degradam alma e corpo! Sua existência é contínua série de estimulações. Partidas de cricket, futebol americano e corridas de cavalos absorvem a atenção. A maldição das bebidas alcoólicas, com seu mundo de desgraças, está contaminando o templo de Deus. ... Pelo uso da bebida e do fumo estão os homens desvalorizando a vida a eles dada para fins elevados e santos. Seus costumes são representados por madeira, feno, e palha. As faculdades que lhes foram dadas por Deus são pervertidas, degradados seus sentidos, para ministrarem aos desejos da mente carnal.

O ébrio vende-se por um copo de veneno. Satanás toma-lhe posse da razão, das afeições, da consciência. Tal homem está destruindo o templo de Deus. O beber chá ajuda a fazer essa obra. Todavia quantos há que põem em sua mesa elementos destrutivos!

Nenhum Direito de Prejudicar Qualquer Parte da Mente ou do Corpo

Nenhum homem ou mulher tem qualquer direito de formar hábitos que diminuam a ação saudável de um órgão da mente ou do corpo. Aquele que perverte suas faculdades está contaminando o templo do Espírito Santo. O Senhor não realizará um milagre para restaurar à saúde os que continuarem a usar drogas para degradação da alma, da mente e do


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corpo de modo que as coisas sagradas não sejam apreciadas. Os que se entregam ao uso do fumo e da bebida alcoólica não apreciam seu intelecto. Não avaliam o valor das faculdades que Deus lhes deu. Permitem que elas definhem e decaiam.

Deus deseja que todos os que nEle crêem sintam a necessidade de aperfeiçoamento. Toda faculdade a eles confiada deve ser desenvolvida. Nem uma deve ser negligenciada. Como lavoura e edifício de Deus, acha-se o homem sob Sua supervisão em todo sentido da palavra; e quanto mais ele se relaciona com seu Criador, tanto mais sagrada se tornará a vida em sua estimativa. ...

Deus pede a Seus filhos que vivam uma existência pura e santa. Ele deu Seu Filho a fim de podermos alcançar essa norma. Tomou todas as providências necessárias para habilitar o homem a viver, não para a satisfação animal, como as bestas que perecem, mas para Deus e o Céu. ...

Deus Mantém um Registro

A penalidade física do menosprezo das leis da natureza aparecerá em forma de doença, estrutura física arruinada, e mesmo a própria morte. Mas um ajuste de contas tem de ser feito também, finalmente, com Deus. Ele mantém um relato de toda obra, quer seja boa quer má, e no dia do juízo cada homem receberá segundo a sua obra. Toda transgressão das leis da vida física é uma transgressão das leis de Deus; e o castigo deve seguir-se e seguir-se-á a toda transgressão dessa espécie.

A habitação humana, o edifício de Deus, requer acurada e vigilante guarda. ... A vida física deve ser cuidadosamente educada, cultivada e desenvolvida, para que por meio de homens e mulheres a natureza divina se revele em sua plenitude. Deus espera que os homens usem o intelecto que Ele lhes deu. Espera que eles empreguem para Ele todo poder de raciocínio. Devem dar à consciência o lugar de supremacia que lhe foi designado. As faculdades físicas e mentais, juntamente com as afeições, devem ser cultivadas de maneira que atinjam a máxima eficiência. Review and Herald, 6 de novembro de 1900.


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Guiado por uma Consciência Esclarecida

Escreve o apóstolo Paulo: "Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de maneira tal que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível." I Cor. 9:24 e 25. Signs of the Times, 2 de outubro de 1907.

O apóstolo Paulo menciona aqui as corridas a pé, com as quais os coríntios se achavam familiarizados. Os competidores nas corridas eram submetidos à mais severa disciplina a fim de se adaptarem à prova de sua resistência. Simples era seu regime. Eram proibidos o vinho e as comidas indigestas. Seu alimento era cuidadosamente escolhido. Eles procuravam saber o que era mais apropriado para torná-los sadios e ativos, e comunicar-lhes vigor e resistência físicos, de modo que pudessem exigir o máximo possível de suas forças. Toda satisfação que tendesse a enfraquecer-lhes as faculdades físicas, era-lhes proibida. Signs of the Times, 27 de janeiro de 1909.

Se homens pagãos, que não eram regidos por uma consciência esclarecida, que não tinham o temor de Deus diante de si, submetiam-se à privação e à disciplina do treino, negando-se a si mesmos toda satisfação enfraquecedora meramente por uma coroa de material perecível e os aplausos da multidão, quanto mais devem os que estão correndo a carreira cristã, na esperança da imortalidade e da aprovação do Alto Céu, ser voluntários em renunciar aos nocivos estimulantes e satisfações que degradam os costumes, enfraquecem o intelecto e põem as faculdades mais elevadas em sujeição aos apetites e paixões animais!

Multidões no mundo estão testemunhando esta partida da vida, o combate cristão. E isto não é tudo. O Rei do Universo e os milhares de anjos celestes são espectadores dessa corrida, estão observando ansiosamente a ver os que sairão vitoriosos, e hão de ganhar a coroa de glória incorruptível. Com intenso interesse Deus e os anjos celestes assinalam as renúncias,


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os sacrifícios e os angustiados esforços dos que se empenham na corrida cristã. A recompensa dada a todo homem estará em harmonia com a energia perseverante e a diligência fiel com que ele desempenha sua parte no grande pleito.

Nos aludidos jogos, apenas um tinha assegurado o prêmio. Na corrida cristã, diz o apóstolo: "eu assim corro, não como a coisa incerta." Não devemos ser decepcionados ao fim da carreira. A todos quantos satisfizerem plenamente as condições indicadas na Palavra de Deus, e tiverem o senso de sua responsabilidade quanto a conservar o vigor e a atividade físicos, a fim de possuírem mente equilibrada e costumes saudáveis, a corrida não é incerta. Todos eles podem ganhar o prêmio, e conquistar e usar a coroa de glória imortal, que não esmaecerá. ...

Promessas ao Vencedor

O mundo não deve servir de critério para nós. É segundo a moda satisfazer o apetite quanto às iguarias suculentas e os estimulantes não naturais, fortalecendo as propensões inferiores e prejudicando as faculdades morais em seu desenvolvimento. Não é dado a nenhum filho ou filha de Adão animação alguma no sentido de se poderem eles tornar vencedores na luta cristã, a menos que se decidam a exercer temperança em tudo. Caso assim procedam, não combaterão como batendo no ar.

Se os cristãos guardarem seu corpo em sujeição, e puserem todos os seus apetites e paixões sob o domínio de uma consciência esclarecida, considerando seu dever para com Deus e o próximo obedecer às leis que regem a saúde e a vida, terão a bênção do vigor físico e mental. Terão força moral para empenhar-se na guerra contra Satanás; e em nome dAquele que venceu o apetite em favor deles, serão mais que vencedores em seu próprio benefício. Esta luta é aberta a todos quantos nela se quiserem empenhar. Signs of the Times, 2 de outubro de 1907.


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Temperança e Espiritualidade

A Entrega a Satanás

O homem, cedendo à tentação de Satanás para condescender com a intemperança, põe as faculdades superiores em subordinação aos apetites e paixões animais, e estas, uma vez conquistando a ascendência, o homem, criado um pouco menor que os anjos, com faculdades suscetíveis do mais alto cultivo, rende-se ao controle de Satanás e ele adquire fácil acesso aos que se encontram na servidão do apetite. Mediante a intemperança, alguns sacrificam metade, e outros dois terços de suas faculdades físicas, mentais, e morais, tornando-se vítimas do inimigo.

Os que quiserem possuir mente clara para discernir os ardis de Satanás, precisam ter os desejos sob o domínio da razão e da consciência. A ação moral e vigorosa das faculdades superiores do espírito é essencial ao aperfeiçoamento do caráter cristão, e a resistência ou fraqueza da mente tem muito que ver com nossa utilidade neste mundo, e com nossa salvação final.

A ignorância que tem dominado quanto à lei de Deus em nossa natureza física, é deplorável. Intemperança de qualquer espécie é uma violação das leis de nosso ser. Predomina em assustadora extensão a imbecilidade. O pecado torna-se atrativo mediante a roupagem de luz com que o veste Satanás, e ele fica satisfeito quando pode manter o mundo cristão em seus hábitos cotidianos sob a tirania do costume, como os pagãos, permitindo que o apetite os governe.

Força Física e Intelectual Sacrificadas

Caso homens e mulheres de inteligência tenham suas faculdades morais embotadas mediante intemperança de qualquer espécie, acham-se, em muitos de seus hábitos, pouco acima dos pagãos. Satanás está constantemente desviando o povo da luz salvadora para costumes e modas, a despeito da saúde física, mental e moral. O grande inimigo sabe que, predominem o apetite e a paixão, a saúde física e o vigor intelectual são sacrificados no


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altar da satisfação egoísta, e o homem é rapidamente levado à ruína. Se o esclarecido intelecto mantiver as rédeas, dominando as propensões animais e conservando-as em sujeição às faculdades morais, bem sabe Satanás que bem pequeno é seu poder para vencer com suas tentações.

Satisfazer às Exigências da Moda

O povo em nossos dias, fala dos séculos escuros, e gaba-se de progresso. Com esse progresso, porém, não decrescem a impiedade e o crime. Deploramos a ausência de simplicidade natural, e o aumento da ostentação artificial. A saúde, a resistência, a beleza e a longevidade, comuns na chamada "Idade Escura", são raras agora. Quase tudo quanto é desejável sacrifica-se para satisfazer as exigências da moda.

Grande parte do mundo cristão não tem o direito de chamar-se cristão. Seus hábitos, sua extravagância, a maneira por que tratam em geral o próprio corpo, são violações da lei física, e contrários à Bíblia. Eles estão preparando para si mesmos, na sua maneira de viver, sofrimentos físicos e fraqueza mental e moral.

Mediante seus ardis Satanás tem, em muitos aspectos, tornado a vida doméstica uma vida de cuidados e de complicados fardos, a fim de satisfazer às exigências da moda. Seu desígnio em assim fazer é manter a mente tão plenamente ocupada com as coisas desta vida, que eles não possam dar senão pequena atenção a seus mais altos interesses. A intemperança no comer e no vestir tem por tal forma absorvido a mente do mundo cristão, que as pessoas não dedicam tempo para se tornarem inteligentes quanto às leis de seu ser, a fim de obedecer-lhes. Professar o nome de Cristo é de bem pouca importância uma vez que a vida não corresponda à vontade de Deus, revelada em Sua Palavra. ...

Quando a Santificação é Impossível

Grande parte de todas as enfermidades que afligem a família humana, são resultado de seus próprios hábitos errôneos, devido à voluntária ignorância, ou à desconsideração para com a luz dada por Deus


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a respeito das leis de seu ser. Não nos é possível glorificar a Deus enquanto vivermos na violação das leis da vida. O coração não pode manter consagração a Deus ao mesmo tempo que é satisfeito o concupiscente apetite. Um corpo doentio e um intelecto desordenado em virtude da contínua condescendência com a prejudicial concupiscência, tornam impossível a santificação do corpo e do espírito.

O apóstolo compreendeu a importância das condições sadias do corpo para a bem-sucedida perfeição do caráter cristão. Diz ele: "Subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado." Redemption or The Temptation of Christ, págs. 57-62.

Educar Hábitos, Gostos e Inclinações

Coisa alguma pode ser mais ofensiva a Deus do que mutilar ou empregar mal os dons a nós emprestados para serem consagrados a Seu serviço. Está escrito: "Quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." I Cor. 10:31.

Há, em toda obra importante, tempos de crise em que há grande necessidade de que aqueles que se acham ligados à obra tenham mente clara. Importa haver homens que compreendam, com o apóstolo Paulo, a importância de exercer temperança em tudo. Há trabalho para realizarmos - obra difícil, diligente para nosso Mestre. Todos os nossos hábitos, gostos e inclinações devem ser educados em harmonia com as leis da vida e da saúde. Podemos, assim, assegurar justamente as melhores condições físicas, e possuir clareza mental para discernir entre o mal e o bem.

A intemperança de qualquer espécie obscurece os órgãos perceptivos, enfraquecendo assim a faculdade nervosa do cérebro para que as coisas eternas não sejam apreciadas, mas sejam colocadas no nível das coisas comuns. As mais elevadas faculdades da mente, destinadas a mais nobres desígnios, são postas em servidão das paixões inferiores. Caso os hábitos físicos não estejam corretos, as faculdades mentais e morais não podem ser fortes; pois existe grande relação entre o físico e


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a moral. O apóstolo Pedro compreendeu isso, e ergueu a voz em advertência: "Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma." I Ped. 2:11.

Interesses em Risco

Assim adverte claramente a Palavra de Deus que, a menos que nos abstenhamos das concupiscências carnais; a natureza física entrará em conflito com a espiritual. As satisfações concupiscentes combatem contra a saúde e a paz. Estabelece-se um conflito entre os atributos mais elevados do homem e os inferiores. As propensões mais baixas, fortes e ativas, oprimem a alma. Os interesses mais altos do ser são postos em risco pela satisfação dos desejos não santificados. Signs of the Times, 27 de janeiro de 1909.

Lição Para os Adventistas do Sétimo Dia

O caso dos filhos de Arão foi registrado para benefício do povo de Deus, e deve ensinar especialmente aos que se estão preparando para a segunda vinda de Cristo, que a condescendência com o apetite pervertido destrói os finos sentimentos da alma e afeta por tal forma as faculdades de raciocínio dadas por Deus ao homem, que as coisas espirituais e santas, perdem sua santidade. A desobediência parece aprazível em vez de excessivamente pecaminosa. Signs of the Times, 8 de julho de 1880.

Vencer Toda Prática Nociva

Os princípios da temperança são de vasto alcance; e há perigo de que os que receberam grande esclarecimento acerca desse assunto deixem de apreciá-lo. Deus requer que Seu povo, que vive nestes últimos dias, vença toda prática nociva, apresentando seu corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Ele, a fim de poderem obter um assento à Sua direita.

É nosso dever cuidar de nós mesmos, e lutar para pôr nosso espírito, nossa vontade, e nossos gostos em conformidade com as recomendações de nosso Criador. Unicamente a graça de Deus nos pode habilitar a fazer isto; pelo Seu poder nossa vida pode ser levada à harmonia com Seus justos princípios.


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Ceifaremos aquilo que semearmos, e unicamente os que se põem em sujeição à vontade de Deus são verdadeiramente sábios. Carta 69, 1896.

Regidos por uma Consciência Esclarecida

Caso os cristãos submetessem todos os seus apetites e paixões ao domínio de uma consciência esclarecida, sentindo ser seu dever para com Deus e seus semelhantes obedecer às leis que regem a vida e a saúde, teriam a bênção do vigor físico e mental; possuiriam poder moral para empenhar-se no conflito contra Satanás; e em nome dAquele que venceu em seu favor, seriam mais que vencedores para seu próprio bem. Christian Temperance and Bible Hygiene, págs. 39 e 40.

Por que Muitos Cairão

Queremos que nossas irmãs que se estão prejudicando por hábitos errôneos, abandonem-nos, e venham para a frente e sejam obreiras na reforma. A razão por que muitos dentre nós cairão no tempo de angústia, é a frouxidão na temperança e a condescendência com o apetite.

Moisés pregou bastante sobre esse assunto, e a causa de o povo não haver entrado na terra prometida foi a repetida condescendência com o apetite. Nove décimos da impiedade entre os filhos de hoje tem por causa a intemperança no comer e no beber. Adão e Eva perderam o Éden em virtude da satisfação do apetite, e só o podemos reaver mediante renúncia do mesmo. Review and Herald, 21 de outubro de 1884.

"Correi de tal Maneira que o Alcanceis"

Há vitórias preciosas a ganhar; e os vencedores neste conflito contra o apetite e toda concupiscência mundana receberão uma imarcescível coroa de vida, um bendito lar naquela cidade cujas portas são pérolas e cujos fundamentos são pedras preciosas. Não é esse prêmio digno de que por ele nos esforcemos? Não é digno de todo esforço que nos seja possível empenhar? Corramos pois de tal maneira que o possamos alcançar. Signs of the Times, 1º de setembro de 1887.


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O Exemplo de Daniel

Não podemos ter compreensão correta do tema da temperança enquanto não o considerarmos do ponto de vista bíblico. E em parte alguma acharemos mais compreensiva e eloqüente ilustração da genuína temperança e suas bênçãos conseqüentes do que a que nos é oferecida pela história do profeta Daniel e seus companheiros na corte de Babilônia. Signs of the Times, 6 de dezembro de 1910.

Quando o povo de Israel, seu rei, nobres e sacerdotes foram levados em cativeiro, quatro dentre eles foram selecionados para servir na corte do rei de Babilônia. Um desses era Daniel, que, muito cedo, deu mostras da grande habilidade desenvolvida nos anos subseqüentes. Esses rapazes eram todos de nascimento principesco e são descritos como jovens em quem não havia "defeito algum, formosos de parecer, e instruídos em toda a sabedoria, sábios em ciência, e entendidos no conhecimento" e tinham "habilidade para viverem no palácio do rei". Dan. 1:4. Percebendo os preciosos talentos desses jovens cativos, o rei Nabucodonosor determinou prepará-los para ocuparem importantes posições em seu reino. A fim de que pudessem tornar-se perfeitamente qualificados para sua vida na corte, de acordo com o costume oriental, deviam eles aprender a língua dos caldeus e submeter-se, durante três anos, a um curso completo de disciplina física e intelectual.

Os jovens nessa escola de preparo não eram unicamente admitidos ao palácio real, mas também se tomavam providências para que comessem da carne e bebessem do vinho que vinha da mesa do rei. Em tudo isso o rei considerava que não estava somente dispensando grande honra a eles, mas assegurando-lhes o melhor desenvolvimento físico e mental que poderia ser atingido.

Enfrentando a Prova

Entre os manjares colocados diante do rei havia carne de porco e de outros animais que haviam sido declarados imundos pela lei de Moisés e que os hebreus tinham sido expressamente proibidos de comer.


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Aqui Daniel foi provado severamente. Deveria aderir aos ensinos de seus pais concernentes às carnes e bebidas e ofender ao rei, e, provavelmente, perder não só sua posição mas a própria vida? ou deveria desatender o mandamento do Senhor e reter o favor do rei, assegurando assim grandes vantagens intelectuais e as mais lisonjeiras perspectivas mundanas?

Daniel não hesitou por longo tempo. Decidiu permanecer firme em sua integridade, fosse qual fosse o resultado. "Assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia."

Sem Mesquinhez nem Fanatismo

Hoje há entre os professos cristãos muitos que haveriam de julgar que Daniel era por demais esquisito, e o pronunciariam como mesquinho e fanático. Eles consideram a questão do comer e beber como de muita pequena importância para exigir tão decidida resistência - tal que poderia envolver o sacrifício de todas as vantagens terrenas. Mas os que assim raciocinam, notarão no dia do juízo que se desviaram das expressas recomendações de Deus e se apoiaram em sua própria opinião como norma para o certo e o errado. Descobrirão que aquilo que lhes parecera sem importância não fora assim considerado por Deus. Suas ordens deveriam ter sido sagradamente obedecidas. Os que aceitam e obedecem a um de Seus preceitos porque lhes convém, ao passo que rejeitam a outro porque sua observância haveria de requerer sacrifício, rebaixam a norma do direito e, por seu exemplo, levam outros a considerarem levianamente a lei de Deus. "Assim diz o Senhor", deve ser nossa regra em todas as coisas.

Caráter Irrepreensível

Daniel foi submetido às mais severas tentações que podem assaltar os jovens de hoje; contudo, foi leal para com a instrução religiosa recebida na infância. Estava cercado por influências que subverteriam aqueles que vacilassem entre o princípio e a inclinação; todavia, a Palavra de Deus o apresenta como uma pessoa irrepreensível. Daniel não ousava confiar em seu próprio poder moral. A oração era para ele uma necessidade. Ele fazia de Deus a sua força


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e o temor do Senhor estava continuamente diante dele em todos os acontecimentos de sua vida.

Daniel possuía a graça da genuína mansidão. Era verdadeiro, firme e nobre. Procurava viver em paz com todos, ao mesmo tempo que era inflexível como o cedro altaneiro, no que quer que envolvesse princípio. Em tudo que não entrasse em colisão com sua fidelidade a Deus, era respeitoso e obediente para com aqueles que sobre ele tinham autoridade; mas tinha tão elevada consciência dos direitos de Deus que as exigências dos governadores terrestres se lhes subordinavam. Não seria induzido por nenhuma consideração egoísta a desviar-se do dever.

O caráter de Daniel é apresentado ao mundo como um admirável exemplo do que a graça de Deus pode fazer de homens caídos por natureza e corrompidos pelo pecado. O registro de sua vida nobre, abnegada, é uma animação para a humanidade em geral. Dela podemos reunir forças para resistir nobremente à tentação e, firmes e na graça da mansidão, manter-nos na defesa do direito sob a mais severa provação.

Aprovação de Deus, Mais Importante que a Vida

Daniel poderia haver encontrado uma desculpa plausível para desviar-se de seus estritos hábitos de temperança; mas a aprovação de Deus era para ele mais cara do que o favor do mais poderoso potentado terrestre - mais cara mesmo do que a própria vida. Havendo, por sua conduta cortês, obtido o favor de Melzar - o oficial que tinha a seu cargo os jovens hebreus - Daniel pediu que lhes concedesse não precisarem comer o manjar da mesa do rei, nem beber de seu vinho. Melzar temia que, condescendendo com este pedido, poderia incorrer no desagrado do rei, e assim pôr em perigo a própria vida. Como acontece com muitos hoje em dia, ele pensava que um regime moderado faria com que esses jovens se tornassem pálidos e de aparência doentia, e deficientes na força muscular, ao passo que o abundante alimento da mesa do rei os tornaria corados e belos, e promoveria as atividades físicas e mentais.

Daniel pediu que a questão se decidisse por uma prova de dez dias, sendo permitido aos jovens hebreus, durante esse


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breve período, comer alimento simples, enquanto seus companheiros participavam das guloseimas do rei. A petição foi, finalmente, deferida, e então Daniel sentiu-se seguro de que havia ganho a causa. Conquanto jovem, havia visto os danosos efeitos do vinho e de um viver luxuoso, sobre a saúde física e mental.

Deus Defende Seus Servos

Ao fim dos dez dias achou-se ser o resultado exatamente o contrário das expectativas de Melzar. Não somente na aparência pessoal, mas em atividade física e vigor mental, aqueles que haviam sido temperantes em seus hábitos exibiram notável superioridade sobre seus companheiros, que condescenderam com o apetite. Como resultado dessa prova, a Daniel e seus companheiros foi permitido continuarem seu regime simples durante todo o tempo de preparo para os deveres do reino.

O Senhor recompensou com aprovação a firmeza e renúncia desses jovens hebreus, e Sua bênção os acompanhou. Ele lhes "deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras, e sabedoria; mas a Daniel deu entendimento em toda a visão e sonhos". Dan. 1:17. Ao expirarem os três anos de preparo, quando sua habilidade e seus conhecimentos foram examinados pelo rei, "entre todos eles não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; por isso permaneceram diante do rei. E em toda a matéria de sabedoria e de inteligência, sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos ou astrólogos que havia em todo o seu reino". Dan. 1:19 e 20.

Domínio Próprio, Condição de Santificação

A vida de Daniel é uma inspirada ilustração do que constitui um caráter santificado. Ela apresenta uma lição para todos, e especialmente para os jovens. Uma estrita submissão às ordens de Deus é benéfica à saúde do corpo e do espírito. A fim de atingir a mais elevada norma de aquisições morais e intelectuais, é necessário buscar sabedoria e força de Deus e observar estrita temperança em todos os hábitos de vida. Na vida de Daniel e seus companheiros, temos um exemplo da vitória do princípio


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sobre a tentação para condescender com o apetite. Isso mostra que, mediante os princípios religiosos, os jovens podem triunfar sobre as concupiscências da carne e permanecer leais aos mandos divinos, embora lhes custe grande sacrifício.

Que seria de Daniel e seus companheiros se houvessem transigido com aqueles oficiais pagãos, e cedido à pressão do momento, comendo e bebendo como era costume entre os babilônios? Aquele único exemplo de desvio dos princípios teria debilitado sua consciência do direito e da aversão ao mal. A condescendência com o apetite teria envolvido o sacrifício do vigor físico, a clareza do intelecto e o poder espiritual. Um passo errado teria, provavelmente, levado a outros, até que, interrompendo sua ligação com o Céu, teriam sido arrastados pela tentação.

Disse Deus: "Aos que Me honram honrarei." I Sam. 2:30. Enquanto Daniel se apegava a Deus com firme confiança, o Espírito de poder profético, vinha sobre ele. Enquanto era instruído pelos homens nos deveres da vida da corte, era por Deus ensinado a ler os mistérios dos séculos futuros e a apresentar às gerações vindouras, mediante números e ilustrações, as maravilhosas coisas que se dariam nos últimos dias. Santificação, págs. 19-25.

Os jovens hebreus não agiram presunçosamente, mas em firme confiança em Deus. Não escolheram ser singulares, mas sê-lo-iam de preferência a desonrar a Deus. Profetas e Reis, pág. 483.

Recompensas da Temperança

Os hebreus cativos eram homens sujeitos às mesmas paixões que nós. Em meio às sedutoras influências das luxuosas cortes de Babilônia, permaneceram fiéis. A juventude de hoje se acha cercada de enganos que os convidam à condescendência consigo mesmos. Especialmente em nossas cidades grandes, toda forma de satisfação sensual se torna fácil e convidativa.


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Aqueles que, à semelhança de Daniel, se recusam a contaminar-se, colherão a recompensa dos hábitos temperantes. Com sua maior capacidade de resistência física e aumentado vigor, possuem um banco de onde sacar nos casos de emergência.

Os hábitos físicos corretos promovem superioridade mental. Capacidade intelectual, resistência física e longevidade, dependem de leis imutáveis. O Deus da natureza não interferirá para preservar os homens das conseqüências de violação das regras da natureza. Aquele que luta pelo domínio, precisa ser temperante em tudo. A clareza mental e a firmeza de propósitos de Daniel, sua capacidade de adquirir conhecimentos e de resistir à tentação, deviam-se, em alto grau, à simplicidade de seu regime alimentar aliada a uma vida de oração.

Há muita verdade genuína no provérbio: "Todo homem é o arquiteto de sua própria sorte." Ao passo que os pais são responsáveis pelo cunho do caráter de seus filhos, bem como pela sua educação, é ainda verdade que nossa posição e utilidade no mundo dependem, em grande parte, de nossa maneira de agir. Daniel e seus companheiros desfrutaram os benefícios da educação correta na infância, mas essas vantagens apenas não os haveriam tornado o que eles foram. Chegou o tempo em que tiveram de agir por si mesmos - quando seu futuro dependia de sua própria conduta. Decidiram então ser fiéis às lições a eles dadas na infância. O temor de Deus, que é o princípio da sabedoria, eis o fundamento de sua grandeza. Youth"s Instructor, 9 de julho de 1903.

O Alimento em Nossa Mesa

A Origem da Intemperança na Própria Mesa

Muita mãe que deplora a intemperança existente por toda parte, não olha bastante fundo para ver a causa. Demasiadas vezes pode-se buscar a origem dessa intemperança na mesa doméstica. Muita mãe, mesmo entre os que professam ser cristãos, está dia a dia pondo diante de sua família comida suculenta e


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grandemente temperada, que tenta o apetite e estimula o comer excessivamente. Christian Temperance and Bible Hygiene, págs. 75 e 76.

Depois de algum tempo, mediante a continuada satisfação do apetite, os órgãos digestivos se enfraquecem, e a comida que é ingerida não satisfaz. Estabelecem-se condições mórbidas, e há imoderado desejo de alimento mais estimulante. O chá, o café e a carne produzem efeito imediato. Sob a influência desses venenos, o sistema nervoso é provocado, e, em alguns casos, no momento, o intelecto parece ser fortalecido e a imaginação se torna mais viva. Em virtude de esses estimulantes produzirem na ocasião esses agradáveis resultados, muitos tiram a conclusão de que necessitam realmente deles, e continuam a usá-los. ...

O apetite é educado a ansiar por alguma coisa mais forte que tenha a tendência de manter avivado e aumentar a agradável agitação, até que a condescendência com ele se torna hábito, e há contínua sede de mais fortes estímulos, como o fumo, vinhos e outras bebidas alcoólicas. Testimonies, vol. 3, págs. 487 e 488.

Comida Saudável, Preparada com Simplicidade

Toda mãe deve vigiar com cuidado sua mesa, não permitindo que a ela venha qualquer coisa que tenha a mais leve tendência para lançar a base de hábitos de intemperança. O alimento deve ser preparado da maneira mais simples possível, livre de condimentos e especiarias, e mesmo de indevida quantidade de sal.

Vós, que tomais a peito o bem de vossos filhos, que desejaríeis vê-los crescer sem gostos e apetites pervertidos, precisais insistir com perseverança em vossa maneira contrária aos sentimentos e práticas populares. Se quereis vê-los preparados para serem úteis na Terra e obterem a recompensa eterna no reino da glória, precisais ensiná-los a obedecer às leis de Deus, tanto as da natureza como as da revelação, em vez de seguir os costumes do mundo.

Persistentes esforços, oração e fé, quando unidos a um exemplo correto, não ficarão infrutíferos. Levai vossos filhos


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a Deus pela fé, e procurai impressionar-lhes a mente suscetível com o senso de suas obrigações para com seu Pai celestial. Isto exigirá lição sobre lição, regra sobre regra, preceito sobre preceito, um pouco aqui, um pouco ali. Review and Herald, 6 de novembro de 1883.

Metade das Mães não Sabem Cozinhar

Nem a metade das mães sabem cozinhar ou o que pôr diante de seus filhos. Colocam perante seus filhinhos nervosos essas indigestas substâncias que ardem na garganta e por todo o caminho abaixo até às delicadas membranas do estômago, tornando-o como fogueira a arder, de modo que não reconhece a comida saudável. Os pequeninos chegam à mesa, e não podem comer isto, ou aquilo. Tomam o controle e comem justamente o que querem, seja ou não para benefício seu.

Eu recomendaria deixá-los ficar sem comida pelo menos por três dias, até que sintam fome bastante para tomar o alimento bom e saudável. Arriscaria deixá-los passar fome. Nunca pus em minha mesa comidas de que não permitisse que meus filhos participassem. Punha diante deles só aquilo de que eu própria comia. As crianças comiam isto, e nunca pensavam em pedir aquilo que não se encontrava na mesa. Não devemos condescender com o apetite das crianças, apresentando-lhes essas comidas indigestas. Manuscrito 3, 1888.

O Caminho Para a Intemperança

A mesa de nosso povo americano é geralmente preparada de maneira a formar bebedores. Testimonies, vol. 3, pág. 563.

Os que crêem a verdade presente devem recusar-se a beber chá ou café, porque despertam o desejo de estimulantes mais fortes. Devem recusar-se a comer carne porque esta também desperta o desejo de bebidas fortes. Os alimentos sãos, preparados com gosto e perícia, devem constituir agora o nosso regime alimentar. Evangelismo, pág. 265.

A Carne é Estimulante

Os resultados imediatos do uso da carne podem ser, na aparência, revigoramento do organismo,


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mas isso não é razão para ela ser considerada o melhor artigo no regime alimentar. O uso moderado da sidra terá o mesmo efeito momentâneo; uma vez, porém, que passe sua influência estimulante, segue-se uma sensação de fraqueza e debilidade. Os que confiam no alimento simples e nutritivo, relativamente não estimulante em seus efeitos, podem resistir a maior quantidade de trabalho no decorrer de meses e anos, do que o comedor de carne ou o bebedor de bebidas alcoólicas. Os que trabalham ao ar livre sentirão menos dano do uso da carne do que os de hábitos sedentários, pois o Sol e o ar são grandes auxiliares da digestão, e fazem muito em neutralizar o efeito dos hábitos errôneos em comer e beber.

Os Efeitos dos Estimulantes

Todos os estimulantes apressam demasiado o organismo humano, e se bem que, por algum tempo, a atividade e o vigor pareçam aumentar, haverá uma reação proporcional à influência irritante empregada; seguir-se-á uma sensação de enfraquecimento em grau correspondente à agitação fora do natural que foi produzido.

Quando é sentida essa debilidade, emprega-se novamente algo para estimular e tonificar o organismo, para dar alívio imediato a essa desagradável fraqueza. A natureza é gradualmente educada a apoiar-se nesse remédio muitas vezes repetido, até que suas faculdades se enfraquecem por serem com freqüência despertadas para ação fora do natural. Todas as pessoas devem familiarizar-se com as leis de seu corpo. Deve ser importante objeto de estudo - como viver, regular o trabalho, comer e beber com vistas à saúde.

Quanto mais simples e naturalmente vivermos, tanto mais capazes seremos de resistir às epidemias e doenças. Se nossos hábitos forem bons e o organismo não for enfraquecido por ação contrária à natureza, proporcionará todos os estímulos de que necessitamos. ...

O Apetite não é Guia Seguro

A regra que alguns recomendam, é comer sempre que se experimente sensação de fraqueza, e comer até ficar-se satisfeito. Essa orientação levará à doença e a numerosos males. O apetite, hoje em dia, não é, geralmente, natural; não é portanto índice correto quanto às


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necessidades do organismo. Ele foi tratado complacentemente e mal dirigido até que se tornou mórbido, não podendo mais ser guia seguro. A natureza foi maltratada, seus esforços entravados pelos hábitos errôneos e a condescendência com as iguarias pecaminosas, de modo que o gosto e o apetite estão igualmente pervertidos.

Não é natural ter um desejo ansioso de alimentos cárneos. Não era assim no começo. O apetite para a carne foi feito e educado pelo homem. Nosso Criador nos forneceu nas verduras, nos cereais e nas frutas, todos os elementos de nutrição necessários à saúde e à resistência. As comidas de carne não faziam parte da alimentação de Adão e Eva antes da queda. Se as frutas, verduras e cereais não eram suficientes para satisfazer às necessidades do homem, então o Criador cometeu um erro ao provê-los para Adão. ...

Para que Israel Conservasse a Resistência Física e Moral

Deus não reteve carne dos hebreus no deserto simplesmente para mostrar Sua autoridade, mas para benefício deles, para que conservassem a resistência física e moral. Sabia que o uso de alimento animal fortalece as paixões animais e enfraquece o intelecto. Ele sabia que a satisfação do apetite dos hebreus para os alimentos cárneos, enfraquecer-lhes-ia as faculdades morais, e induziria a tão irritável disposição, que o grande exército ficaria insubordinado, que perderiam o elevado senso de suas obrigações morais, e se recusariam a ser controlados pelas sábias leis de Jeová. Violência e rebelião viriam a existir entre eles, tornando-lhes impossível ser um povo puro e feliz na terra de Canaã. Deus sabia o que era melhor para os filhos de Israel; privou-os portanto, em grande medida, de alimentos cárneos.

Satanás tentou-os a considerar isto injusto e cruel. Fez com que eles cobiçassem as coisas proibidas, pois viu que mediante a condescendência com os apetites pervertidos, tornar-se-iam de espírito carnal e seriam facilmente levados a fazer a vontade dele; fortalecer-se-iam os órgãos inferiores, ao passo que o intelecto e as faculdades morais se enfraqueceriam.


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Satanás não é noviço na ocupação de destruir almas. Ele bem sabe que se lhe for possível induzir homens e mulheres a hábitos errôneos no comer e beber, adquiriu, em alto grau, o controle de sua mente e das paixões inferiores. No princípio, o homem comia dos frutos da terra, mas o pecado introduziu o uso da carne de animais mortos como alimento. Esse regime atua diretamente no sentido contrário do espírito de genuíno refinamento e de pureza moral. A substância daquilo que é ingerido para o estômago, passa à circulação, e é convertido em carne e sangue. ...

Deus requer que Seu povo seja temperante em tudo. O exemplo de Cristo, durante aquele longo jejum no deserto, deve ensinar Seus seguidores a repelir Satanás quando se aproxima sob o disfarce do apetite. Então terão eles influência para reformar aqueles que foram transviados pela satisfação do apetite, e perderam a força moral para vencer a fraqueza e o pecado que deles tomou posse. Assim podem os cristãos adquirir saúde e felicidade, em uma vida pura e bem ordenada, e numa mente clara e incontaminada diante de Deus. Signs of the Times, 6 de janeiro de 1876.

Reforma à Medida que o Novo Converso a Compreende

Ao chegar a mensagem aos que não haviam ouvido a verdade para este tempo, eles vêem que se precisa efetuar uma grande reforma em seu regime alimentar. Vêem que devem abandonar os alimentos cárneos, porque os mesmos suscitam sede de bebidas alcoólicas, e enchem o organismo de doenças. Pelo comer carne, são enfraquecidas as faculdades físicas, mentais e morais. O homem é constituído por aquilo que come. As paixões animais adquirem domínio em resultado da alimentação cárnea, do uso do fumo e das bebidas alcoólicas. Conselhos Sobre o Regime Alimentar, págs. 268 e 269.

Intemperança na Variedade de Pratos

Vou mais longe. A temperança deve ser observada no preparo do alimento e na variedade de pratos providos, para que seja poupado à mãe todo trabalho possível. Não é essencial à manutenção da vida grande variedade de comidas; ao contrário, isto prejudica os


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órgãos digestivos, dando lugar a uma guerra no estômago. Com a bênção de Deus, o alimento simples sustentará a vida, e será o melhor para todo o ser.

Poucos compreendem que em geral, é posta no estômago mais comida do que a necessária. Mas o alimento ingerido a mais é uma sobrecarga no estômago, prejudicando toda a estrutura humana. Manuscrito 50, 1893.

Comer em Excesso é Intemperança

Verifica-se a intemperança tanto na quantidade como na qualidade do alimento ingerido. Conselhos Sobre Saúde, pág. 576.

A intemperança abrange muito. Para alguns, ela consiste em comer demasiado de alimentos que, se ingeridos na devida quantidade, nada haveria a objetar. Tudo quanto é ingerido acima da real necessidade do organismo, torna-se elemento perigoso. Fermenta no estômago, e causa dispepsia. Comer demais continuamente, consome as forças vitais, e priva o cérebro de energia para efetuar sua obra. Manuscrito 155, 1899.

Uma pessoa que condescende largamente com o comer, que sobrecarrega os órgãos digestivos até que se tornam incapazes de digerir devidamente o alimento ingerido, é também intemperante, e verificará que é impossível discernir claramente as coisas espirituais. Manuscrito 41, 1908.

Nosso Pai celestial quer que usemos com discrição as coisas boas que Ele nos proporcionou. Signs of the Times, 27 de janeiro de 1909.

Importante Lugar em Nossa Salvação

Os que não são reformadores de saúde tratam-se de maneira injusta e insensata. Pela complacência com o apetite infligem-se danos terríveis. Pensarão alguns que a questão do regime alimentar não é suficientemente importante para ser incluída na religião. Mas esses cometem grande erro. Declara a Palavra de Deus: "Quer comais, quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus." I Cor. 10:31.


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O tema da temperança, em todos os seus aspectos, tem um lugar importante na elaboração de nossa salvação. Evangelismo, pág. 265.

Se os homens e mulheres viverem perseverantemente de acordo com as leis da vida e da saúde, reconhecerão os benditos resultados de uma completa reforma da saúde. Signs of the Times, 6 de janeiro de 1876.

Todos Estão Sendo Provados

É de grande importância que individualmente desempenhemos bem nossa parte e tenhamos nítida compreensão do que devemos comer ou beber, e de como viver de molde a preservar a saúde. Todos estão sendo provados para que se veja se aceitarão os princípios de reforma da saúde ou seguirão uma conduta de condescendência consigo mesmos. Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág. 34.

Total Abstinência, o Ideal

A Única Regra Segura

A única regra segura é não tocar, não provar, não manusear chá, café, vinhos, fumo, ópio, e bebidas alcoólicas. A necessidade de os homens desta geração chamarem em seu auxílio a força de vontade, fortalecida pela graça de Deus, a fim de resistir às tentações de Satanás e à mínima condescendência com o apetite pervertido, é duas vezes maior do que o era há várias gerações. A geração atual, porém, tem menos domínio de si mesma do que possuíam as que viviam então. Testimonies, vol. 3, pág. 488.

Nunca partilhemos de um copo de bebida alcoólica. Não o toquemos jamais. Manuscrito 38,1º de fevereiro de 1905.

A Disposição de não Tocar, não Provar e não Manusear

Se todos fossem vigilantes e fiéis em guardar as pequeninas entradas abertas pelo uso moderado dos chamados inofensivos vinho e sidra, cerrar-se-ia o caminho à embriaguez. O que é necessário em toda comunidade, é o firme propósito, e a disposição de não tocar, não provar, não manusear; então a


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reforma de temperança seria forte, permanente, cabal. Review and Herald, 25 de março de 1884.

Abstende-vos estritamente de toda comida ou bebida estimulante. Sois propriedade de Deus. Não deveis maltratar nenhum órgão do corpo. Antes cuidar sabiamente dele, para que haja perfeito desenvolvimento do homem inteiro. Não é de vossa parte um ato de ingratidão fazer qualquer coisa que vos enfraqueça as forças vitais, de modo que vos incapacite para representá-Lo devidamente, ou para fazer a obra que Ele quer de vós? Carta 236, 1903.

Os Princípios de Temperança Originam-se na Lei de Deus

Se os homens guardassem estrita e conscienciosamente a lei de Deus, não haveria bêbados, nem fumantes, nem angústia, miséria e crime. Fechar-se-iam os bares por falta de freguesia, e nove décimos de toda miséria que existe no mundo teria fim. Os jovens andariam com porte ereto e nobre, passo flexível e desembaraçado, límpido olhar e aspecto saudável.

Quando do púlpito, os pastores tornam a lei de Deus desacreditada; quando se unem ao mundo em torná-la impopular; quando esses mestres do povo condescendem com o copo social, o narcótico contaminador e o fumo, que profundezas de vício não se podem esperar dos jovens desta degenerada geração? ... Tendes ouvido muito com respeito à autoridade e santidade da lei dos Dez Mandamentos. Deus é o autor dessa lei, a qual é o fundamento de Seu governo no Céu e na Terra. Todas as nações esclarecidas basearam suas leis nesse grande fundamento de toda lei; todavia os legisladores e os ministros, reconhecidos como líderes e mestres do povo, vivem em aberta violação dos princípios incutidos nesses santos estatutos.

Muitos ministros pregam a Cristo do púlpito, e depois, não hesitam em entorpecer seus sentidos bebericando vinho, ou mesmo condescendendo com sidra e outras bebidas alcoólicas. A norma cristã, diz: "Não toques, não proves; não manuseies";


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e as leis de nosso físico repetem com ênfase a solene recomendação. É o dever de todo ministro cristão expor claramente esta verdade a Seu povo, ensinando-a tanto por preceito como por exemplo. ...

A igreja cristã é declarada o sal da Terra, a luz do mundo. Podemos nós aplicar isto às igrejas de hoje, estando muitos de seus membros a usar, não só o contaminador narcótico, o fumo, mas o intoxicante vinho e as bebidas alcoólicas, ao mesmo tempo que levam o copo de vinho aos lábios de seu semelhante? A igreja cristã deve ser uma escola em que a juventude inexperiente seja educada a dominar seus apetites, do ponto de vista moral e religioso. Deve-lhes ser aí ensinado quão perigoso é brincar com a tentação, divertir-se com o pecado; que não há tal coisa como ser bebedor moderado e temperante; que o caminho do bebericador é sempre descendente. Eles devem ser exortados: "Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho", pois "no seu fim morderá como a cobra, e como o basilisco picará." Prov. 23:31 e 32. Signs of the Times, 29 de agosto de 1878.

Abstinência Total, eis a Norma

Quando for apresentada a temperança como parte do evangelho, muitos verão sua necessidade de reforma. Verão o mal das bebidas intoxicantes, e que a única plataforma em que o povo de Deus se pode conscienciosamente colocar, é a abstinência total. Testimonies, vol. 7, pág. 75.

Relação Para com os Membros da Igreja

Elemento Vivo e Atuante na Igreja

No círculo familiar e na igreja, devemos pôr a temperança cristã em elevada plataforma. Ela deve ser um elemento vivo, atuante, reformando hábitos, disposições e caráter. A intemperança jaz à base de todo o mal em nosso mundo. Manuscrito 50, 1893.

Não Admitir na Igreja

Que Deus nos conceda estar plenamente despertos


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para esse horrível mal. Que Ele nos ajude a trabalhar com todas as nossas forças para salvar homens e mulheres e jovens desse esforço do inimigo para enredá-los. Não podemos aceitar na igreja os que usam bebidas alcoólicas ou fumo. Não os podemos admitir. Podemos, porém, ajudá-los a vencer. Podemos dizer-lhes que, abandonando essas práticas nocivas, eles tornarão sua família e a si mesmos mais felizes. Aqueles cujo coração se encontra cheio do Espírito de Deus, não sentirão nenhuma necessidade de estimulantes. Review and Herald, 15 de junho de 1905.

O Verdadeiro Converso

Têm os homens e as mulheres muitos hábitos que são contrários aos princípios bíblicos. As vítimas das bebidas alcoólicas e do fumo estão corrompidas no corpo, alma e espírito. Tais pessoas não devem ser recebidas na igreja sem que provem estar verdadeiramente convertidas, e sintam a necessidade da fé que atua por amor e purifica a alma. A verdade divina purifica o verdadeiro crente. Quem está plenamente convertido abandonará todo hábito e apetite degradante. Por meio da abstinência total vencerá seu desejo das complacências destrutoras da saúde. Evangelismo, pág. 264.

Os Adventistas do Sétimo Dia, Líderes Espirituais

Conserva o Vigor e Dá Resistência

Pesa sobre todos, e especialmente sobre os ministros que ensinam a verdade, a solene responsabilidade de vencer no que toca ao apetite. A utilidade dos ministros de Cristo seria muito maior se eles exercessem domínio sobre seus apetites e paixões; e suas faculdades mentais e morais seriam mais vigorosas caso eles aliassem o trabalho físico ao mental. Poderiam, com hábitos estritamente temperantes, com a união do trabalho físico e mental, efetuar muito maior quantidade de labor e conservar a clareza da mente. Seguissem eles tal orientação, seus pensamentos e palavras fluiriam mais facilmente, suas práticas religiosas


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possuir-se-iam de mais energia, e as impressões produzidas sobre seus ouvintes seriam mais assinaladas.

A intemperança no comer, mesmo de alimento apropriado, exercerá um efeito de prostração no organismo, embotando as mais vivas e santas emoções. A estrita temperança no comer e beber é altamente essencial para a saudável conservação e o exercício vigoroso de todas as funções orgânicas. Hábitos estritos de temperança, unidos ao exercício dos músculos bem como do cérebro, conservarão tanto o vigor físico, como o mental, e darão resistência aos que se empenham no ministério, aos redatores, e a todos os outros de hábitos sedentários. Health Reformer, agosto de 1875.

O Exemplo de Cristo

Os ministros de Cristo, que professam ser representantes Seus, devem seguir-Lhe o exemplo, e mais que todos os outros, devem formar hábitos de estrita temperança. Cumpre-lhes manter a vida e o exemplo de Cristo diante do povo mediante sua própria vida de abnegação, sacrifício e ativa beneficência. Cristo venceu o apetite em benefício do homem, e em Seu lugar devem eles dar aos outros um exemplo digno de imitação. Aqueles que não sentem a necessidade de empenharem-se na obra de vencer o apetite, deixarão de assegurar preciosas vitórias que poderiam haver ganho, e tornar-se-ão escravos do apetite e da concupiscência, que estão enchendo a taça da iniqüidade dos que habitam sobre a Terra. Testimonies, vol. 3, pág. 490.

Visão Espiritual Prejudicada

Acho-me instruída a dizer a meus irmãos do ministério: Pela intemperança no comer, vós vos tornais incapazes de ver claramente a diferença entre o fogo sagrado e o comum. E por meio dessa intemperança revelais também vossa desconsideração para com as advertências que o Senhor vos tem dado. Eis Sua palavra para vós: "Quem há entre vós que tema a Jeová, e ouça a voz de Seu servo? quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus.


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Eis todos vós, que acendeis fogo, e vos cingis com faíscas; andai entre as labaredas do vosso fogo, e entre as faíscas que acendestes; isto vos vem da Minha mão, e em tormentos jazereis." Isa. 50:10 e 11. Testimonies, vol. 7, pág. 258.

Auxílio à Clareza de Pensamento

Não temos direito de sobrecarregar nem as faculdades mentais nem as físicas, de maneira que venhamos a ficar facilmente enfurecidos e levados a proferir palavras que desonrem a Deus. O Senhor quer que sejamos sempre calmos e pacientes. Façam os outros o que fizerem, cumpre-nos representar a Cristo procedendo como Ele o faria em idênticas circunstâncias.

Todo dia uma pessoa que se encontra em posição de confiança tem decisões a tomar, das quais dependem resultados de grande importância. Ela precisa muitas vezes pensar com rapidez, e isto só pode ser conseguido por aqueles que exercitam estrita temperança. A mente se fortalece sob o correto tratamento das faculdades físicas e mentais. Caso a tensão não seja demasiado grande, ela adquire renovado vigor a cada esforço. Testimonies, vol. 7, pág. 199.

Requisitos Para as Posições de Responsabilidade

Significa muito ser leal a Deus. Ele tem direitos sobre todos quantos se acham empenhados em Seu serviço. Ele deseja que mente e corpo sejam conservados nas melhores condições de saúde, toda faculdade e dom sob a direção divina, e tão vigorosos como os possam tornar cuidadosos e estritos hábitos de temperança. Achamo-nos em obrigação para com Deus de fazermos de nós mesmos incondicional consagração a Ele, corpo e alma, com todas as faculdades estimadas como sendo dons Seus a nós confiados, para serem empregados em Seu serviço. Todas as nossas energias e capacidades devem ser constantemente fortalecidas e aperfeiçoadas no decorrer do tempo de graça que nos concedeu. Unicamente os que apreciarem esses princípios e houverem sido educados a cuidar inteligentemente de seu corpo, no temor de Deus, devem ser escolhidos para tomar responsabilidades em Sua obra. Os que têm estado há longo tempo na verdade, e que todavia não podem distinguir entre os puros princípios da justiça e os do mal, cujo entendimento quanto à justiça, a


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misericórdia e o amor de Deus é obscuro, devem ser aliviados de responsabilidades. Toda igreja necessita de um testemunho claro, bem definido, dando à trombeta sonido certo. Signs of the Times, 2 de outubro de 1907.

Os Obreiros Pró-Saúde Devem Ser Temperantes

Ele o médico vê que aqueles que estão fazendo o curso de enfermagem devem receber cabal educação nos princípios da reforma de saúde, que devem ser ensinados a manter estrita temperança em tudo, porque o descuido relativo às leis da saúde é inescusável naqueles que foram separados para ensinar a outros a maneira de viver. Testimonies, vol. 7, pág. 74.

Educar, Educar, Educar

Visto serem os princípios relativos à saúde e à temperança tão importantes, e serem tantas vezes mal compreendidos, negligenciados ou desconhecidos, devemos educar-nos a nós mesmos, para que possamos, não somente pôr nossa vida em harmonia com esses princípios, mas ensiná-los aos outros. O povo necessita ser educado, regra sobre regra, preceito sobre preceito. O assunto deve ser conservado vivo diante deles. Quase toda família necessita ser despertada. A mente precisa ser esclarecida e a consciência despertada para o dever de praticar os princípios da verdadeira reforma.

Os ministros, em especial, devem ser inteligentes nessa questão. Como pastores do rebanho, serão considerados responsáveis por voluntária ignorância e desconsideração das leis da natureza. Busquem eles o que constitui a verdadeira reforma de saúde, e ensinem seus princípios tanto por preceito quanto pelo exemplo sereno e coerente. Eles não devem ignorar seu dever nessa matéria, não serem desviados porque alguns os chamem extremistas. Nas convenções, nos cursos, e outras grandes e importantes reuniões, devem ser dadas instruções quanto à saúde e à temperança. Introduzi no serviço todo talento disponível, e apoiai o trabalho com publicações acerca do assunto. "Educar, educar, educar", eis a mensagem que me tem sido recomendada com insistência. Manuscrito 9.

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