Educação

CAPÍTULO 25

Educação e Caráter

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VII. A Formação do Caráter

"Olha, faze tudo conforme o modelo que, no monte, se te mostrou." Heb. 8:5.

Educação e Caráter

"E haverá estabilidade nos teus tempos, abundância de... sabedoria e ciência." Isa. 33:6.

A verdadeira educação não desconhece o valor dos conhecimentos científicos ou aquisições literárias; mas acima da instrução aprecia a capacidade, acima da capacidade a bondade, e acima das aquisições intelectuais o caráter. O mundo não necessita tanto de homens de grande intelecto, como de nobre caráter. Precisa de homens cuja habilidade seja dirigida por princípios firmes.

"A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria." Prov. 4:7. "A língua dos sábios adorna a sabedoria." Prov. 15:2. A verdadeira educação comunica esta sabedoria. Ensina o melhor uso não somente de uma, mas o de todas as nossas habilidades e aquisições. Assim abrange todo o ciclo das obrigações: para com nós mesmos, para com o mundo, e para com Deus.

A formação do caráter é a obra mais importante que já foi confiada a seres humanos; e nunca antes foi seu diligente estudo tão importante como hoje. Jamais qualquer geração prévia teve de enfrentar transes tão momentosos; nunca antes jovens foram defrontados por perigos tão grandes como hoje.

Qual é o pendor da educação dada atualmente? Qual é o objetivo para que se apela mais freqüentemente? - O proveito próprio. Grande parte desta educação, é uma perversão deste nome. Na verdadeira educação, a ambição


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egoísta, a avidez do poder, a desconsideração pelos direitos e necessidades da humanidade - coisas que são uma maldição para o nosso mundo - encontram uma influência contrária. O plano de vida estabelecido por Deus, tem um lugar para cada ser humano. Cada um deve aperfeiçoar os seus talentos até ao máximo ponto; e a fidelidade no fazer isto confere honra à pessoa, sejam muitos ou poucos os seus dons. No plano divino não há lugar para a rivalidade egoísta. Os que "se medem a si mesmos e se comparam consigo mesmos estão sem entendimento". II Cor. 10:12. O que quer que façamos deve ser feito "segundo o poder que Deus dá". I Ped. 4:11. Deve ser feito "de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis". Col. 3:23 e 24. Precioso é o serviço efetuado e a educação obtida na prática destes princípios. Quão diversa é, porém, grande parte da educação que hoje se dá! Desde os tenros anos da criança consiste ela num apelo à competição e rivalidade; alimenta o egoísmo, a raiz de todos os males.

Assim se estabelece a disputa pela supremacia, e se incentiva o estudo excessivo que em tantos casos destrói a saúde e inabilita para a utilidade. Em muitos outros a emulação conduz à desonestidade; e alimentando a ambição e o descontentamento, ela amargura a vida e ajuda a encher o mundo com esses espíritos inquietos, turbulentos, que são uma contínua ameaça à sociedade.

E o perigo não pertence unicamente aos métodos. Está igualmente no assunto dos estudos.

Quais são as obras com que, durante todos os anos mais susceptíveis da vida, é a mente dos jovens levada a ocupar-se? No ensino da língua e literatura, de que fonte são os jovens ensinados a beber? - Das cisternas do


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paganismo; das fontes alimentadas pelas corrupções do antigo paganismo. Ordena-se-lhes que estudem autores dos quais, sem contestação, se declara não terem respeito pelos princípios da moralidade.

E de quantos autores modernos também se poderia dizer o mesmo! Com quantos deles a graça e a beleza da linguagem não são senão um disfarce para encobrir princípios que em sua verdadeira deformidade repugnariam o leitor!

Além disso há uma multidão de escritores de ficção, convidando a sonhos deleitáveis em palácios de ócio. Podem não ser taxados de imoralidade; contudo suas obras nem por isso deixam de estar carregadas de males. Estão roubando a milhares e milhares o tempo, a energia e a disciplina exigidos pelos severos problemas da vida.

No estudo das ciências, como geralmente é feito, há perigos igualmente grandes. A evolução e seus erros conexos são ensinados nas escolas de todas as categorias, desde o jardim da infância até às escolas superiores. Assim, o estudo da ciência, que deveria comunicar o conhecimento de Deus, acha-se tão misturado com as especulações e teorias humanas que propende para a incredulidade.

Mesmo o estudo da Bíblia, como muitas vezes é feito nas escolas, está despojando o mundo do imprescindível tesouro da Palavra de Deus. A obra da alta crítica, dissecando, conjeturando, reconstruindo, está destruindo a fé na Bíblia como uma revelação divina; está despojando a Palavra de Deus do poder de dirigir, enobrecer e inspirar as vidas humanas.

Quando o jovem sai ao mundo, para encontrar suas seduções ao pecado - a paixão de ganhar dinheiro, a paixão dos divertimentos e contemporizações, da ostentação, do luxo, extravagâncias, engano, fraude, roubo e ruína - que ensinos encontrará ali?

O Espiritismo afirma que os homens são semideuses, não decaídos; que "cada mente julgará a si mesma", que


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"o verdadeiro conhecimento coloca os homens acima de toda a lei", que "todos os pecados cometidos são inocentes", pois "o que quer que seja, está certo", e "Deus não condena". Representa os mais vis dos seres humanos como estando no Céu, e grandemente exaltados ali. Assim, declara ele a todos os homens: "Não importa o que façais; vivei como vos aprouver, o Céu é vosso lar." Multidões são levadas assim a crer que o desejo é a lei mais elevada, a libertinagem é liberdade, e que o homem é apenas responsável a si mesmo.

Com tal ensino dado logo ao princípio da vida, quando os impulsos são os mais fortes e mais urgente a necessidade de restrição própria e pureza, onde está a salvaguarda da virtude? O que deverá impedir que o mundo se torne uma segunda Sodoma?

Ao mesmo tempo a anarquia procura varrer todas as leis, não somente as divinas mas também as humanas. A centralização da riqueza e poder; vastas coligações para enriquecerem os poucos que nelas tomam parte, a expensas de muitos; as combinações entre as classes pobres para a defesa de seus interesses e reclamos, o espírito de desassossego, tumulto e matança; a disseminação mundial dos mesmos ensinos que ocasionaram a Revolução Francesa - tudo propende a envolver o mundo inteiro em uma luta semelhante àquela que convulsionou a França.

Tais são as influências a serem enfrentadas pelos jovens hoje. Para ficar em pé em meio de tais convulsões, devem hoje lançar os fundamentos do caráter.

Em cada geração e país, o verdadeiro fundamento e modelo para a formação do caráter tem sido o mesmo. A lei divina: "Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, ... e ao teu próximo como a ti mesmo" (Luc. 10:27) - grande princípio este manifesto no caráter e


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vida de nosso Salvador - é o único fundamento certo e o único guia seguro.

"Haverá estabilidade nos teus tempos, abundância de salvação, sabedoria e ciência" (Isa. 33:6) - aquela sabedoria e ciência que somente a Palavra de Deus pode comunicar.

Relativamente à obediência aos Seus mandamentos, é tão verdade hoje como foi nos dias em que foram estas palavras proferidas a Israel: "Esta será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos." Deut. 4:6.

Aqui está a única salvaguarda à integridade individual, pureza do lar, bem-estar da sociedade ou estabilidade da nação. Por entre as perplexidades, perigos e exigências contraditórias da vida, a única segurança e regra certa é fazer o que Deus diz: "Os preceitos do Senhor são retos" (Sal. 19:8), "quem faz isto nunca será abalado". Sal. 15:5.

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