Livro - Patriarcas e Profetas | Ellen G. White Books

Patriarcas e Profetas

Introdução

PP - Pag. 19  

Este volume trata de assuntos da história bíblica; assuntos que, em si mesmos, não são novos, mas apresentados aqui de um modo que lhes dá nova significação, revelando motivos de ação, mostrando o importante propósito de certos movimentos e realçando alguns aspectos que são apenas mencionados sucintamente na Bíblia. As cenas têm assim uma vividez e importância que tendem a causar impressões recentes e duradouras. É lançada tal luz sobre o relato bíblico que revele mais cabalmente o caráter e os desígnios de Deus; manifeste os ardis de Satanás e a forma pela qual será finalmente destruído o seu poder; aponte a debilidade do coração humano; e mostre como a graça de Deus tem habilitado os homens a serem vitoriosos na batalha contra o mal. Tudo isso está em harmonia com o que Deus tem demonstrado ser o Seu propósito ao desdobrar as verdades de Sua Palavra para os seres humanos. Percebe-se que o meio pelo qual têm sido dadas essas revelações - ao ser testado pelas Escrituras - é um dos métodos que Deus ainda utiliza para dar instruções aos filhos dos homens.

Conquanto agora não seja como no princípio, quando o homem, em sua santidade e inocência, recebia instruções pessoais do seu Criador, os seres humanos não são deixados sem um mestre divino que Deus proveu na pessoa de Seu representante, o Espírito Santo. Ouvimos, portanto, o apóstolo Paulo declarar que determinada "iluminação" divina constitui o privilégio dos seguidores de Cristo; e que eles são "iluminados" ao se tornarem "participantes do Espírito Santo". Heb. 10:32; 6:4. João também afirma: "Vós possuís unção que vem do Santo." I João 2:20. E Cristo prometeu aos discípulos, ao estar prestes a deixá-los, que lhes enviaria o Espírito Santo como Consolador e Guia para conduzi-los a toda a verdade. João 14:16 e 26.

Para mostrar como essa promessa se cumpriria para a Igreja, o apóstolo Paulo, em duas de suas epístolas, faz a declaração formal de que certos dons do Espírito foram colocados na Igreja para sua edificação e instrução até o fim do tempo. I Cor. 12; Efés. 4:8-13; Mat. 28:20. E isto não é tudo. Diversas profecias bem definidas e explícitas declaram que nos últimos dias haverá um derramamento especial do Espírito Santo, e que a Igreja, por ocasião do aparecimento de Cristo, terá tido, durante sua experiência final, "o testemunho de Jesus", que é o espírito de profecia. Atos 2:17-20 e 39; I Cor. 1:7; Apoc. 12:17; 19:10. Vemos nestes fatos uma evidência do cuidado e do amor de Deus por Seu povo; pois a presença do Espírito Santo, como Consolador, Mestre e Guia, tanto nos Seus métodos de atuação ordinários como extraordinários, certamente é necessária à Igreja, ao enfrentar os perigos dos últimos dias, mais do que em qualquer outra parte de sua experiência.

As Escrituras apontam para diversos meios pelos quais o Espírito Santo operaria no coração e na mente dos homens para iluminar-lhes o entendimento e guiar-lhes os passos. Entre estes, encontram-se as visões e os sonhos. Seria deste modo que Deus ainda Se comunicaria com os seres humanos. Eis a Sua promessa a esse respeito: "Ouvi agora as Minhas palavras; se entre vós há profeta, Eu, o Senhor, em visão a ele Me faço conhecer, ou falo com ele em sonhos." Núm. 12:6. Desse modo foi transmitido conhecimento sobrenatural a Balaão. Ele disse, portanto: "Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra do homem de olhos abertos, palavra daquele que ouve os ditos de Deus, e sabe a ciência do Altíssimo; daquele que tem a visão do Todo-poderoso, e prostra-se, porém de olhos abertos." Núm. 24:15 e 16.

Pesquisar o testemunho das Escrituras acerca da amplitude com que o Senhor tencionava que o Espírito Santo Se manifestasse na Igreja durante o período de prova dos seres humanos constitui, portanto, uma questão de grande importância.

Depois que foi elaborado o plano da salvação, Deus, segundo vimos, ainda poderia, pelo ministério de Seu Filho e dos santos anjos, comunicar-Se com os homens através do abismo causado pelo pecado. Algumas vezes Ele falou-lhes face a face, como no caso de Moisés; mas, com mais freqüência, por meio de sonhos e visões. Exemplos dessa comunicação se destacam por toda parte do registro sagrado, e abrangem todas as dispensações. Enoque, o sétimo depois de Adão, olhou antecipadamente, pelo espírito de profecia, para o segundo advento de Cristo em poder e glória, e exclamou: "Olhem! O Senhor virá com muitos milhares dos Seus anjos." Jud. 14, BLH. "Homens santos falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo." II Ped. 1:21.

Se por vezes, quando declinava a espiritualidade do povo, a atuação do espírito de profecia quase parecia haver desaparecido, ela assinalou, porém, todas as grandes crises na experiência da Igreja e as épocas que testemunharam a mudança de uma dispensação para a outra. Ao chegar a era que se distinguiu pela encarnação de Cristo, o pai de João Batista ficou repleto do Espírito Santo, e profetizou. Luc. 1:67. A Simeão foi revelado que, antes de morrer, ele veria o Senhor; e quando os pais de Jesus O levaram ao templo, para a dedicação, Simeão foi ao templo, movido pelo Espírito, tomou o Menino nos braços e profetizou algo a Seu respeito. E Ana, uma profetisa, chegando naquele momento, falava dEle a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém. Luc. 2:26 e 36.

O derramamento do Espírito Santo que acompanharia a pregação do evangelho pelos seguidores de Cristo foi anunciado pelo profeta, nestas palavras: "E acontecerá depois que derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o Meu Espírito naqueles dias. Mostrarei prodígios no céu e na Terra; sangue, fogo, e colunas de fumo. O Sol se converterá em trevas, e a Lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor." Joel 2:28-31.

No dia de Pentecostes, Pedro citou esta profecia na explicação da maravilhosa cena que ocorreu então. Línguas repartidas, como de fogo, pousaram sobre cada um dos discípulos; eles ficaram cheios do Espírito Santo, e passaram a falar em outras línguas. Quando os escarnecedores disseram que eles estavam embriagados, Pedro respondeu: "Estes homens não estão embriagados como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia. Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel." Então ele citou, em essência, a profecia de Joel transcrita mais acima, substituindo, porém, a palavra "depois" por "nos últimos dias", e fazendo com que a profecia dissesse o seguinte: "E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do Meu Espírito sobre toda a carne", etc.

É evidente que foi somente a parte da profecia relacionada com o derramamento do Espírito Santo que começou a cumprir-se naquele dia; pois não havia velhos sonhando ali, nem jovens tendo visões e profetizando; e não apareceram então prodígios de sangue e fogo, e colunas de fumo. O Sol não se escureceu, e a Lua não ficou vermelha como sangue naquela ocasião. Contudo, o que foi visto ali ocorreu em cumprimento da profecia de Joel. Outrossim, é evidente que essa parte da profecia a respeito do derramamento do Espírito não se exauriu naquela única manifestação; pois a profecia abrange todos os dias, daquele tempo em diante, até à vinda do grande dia do Senhor.

O dia de Pentecostes constituiu, porém, o cumprimento de outras profecias, além da de Joel. Ele cumpriu também as próprias palavras de Cristo. Em Sua última mensagem aos discípulos, antes da crucifixão, Jesus lhes disse: "Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, ... o Espírito da verdade." João 14:16 e 17. "Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em Meu nome, esse vos ensinará todas as coisas." João 14:26.

"Quando vier, porém, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade." João 16:13. E depois que ressuscitou dentre os mortos, Cristo disse aos discípulos: "Eis que envio sobre vós a promessa de Meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder." Luc. 24:49.

No dia de Pentecostes, os discípulos foram, portanto, revestidos do poder do alto. Essa promessa de Cristo, assim como a profecia de Joel, não se restringiu, porém, àquela ocasião. Pois Ele lhes deu a mesma promessa sob outra forma, assegurando-lhes que estaria com eles todos os dias até o fim do mundo. Mat. 28:20. Marcos nos diz em que sentido e de que maneira o Senhor estaria com eles, afirmando: "E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam." Mar. 16:20. E Pedro, no dia de Pentecostes, comprovou a perpetuidade dessa atuação do Espírito Santo testemunhada por eles. Quando os judeus convictos perguntaram aos apóstolos: "Que faremos?", Pedro respondeu: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis ó dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos, e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor nosso Deus chamar." Atos 2:37-39. Isto certamente confirma a atuação do Espírito Santo na Igreja, mesmo em suas manifestações especiais, por todo o tempo futuro, enquanto a misericórdia divina convidar as pessoas a aceitarem o compassivo amor de Cristo.

Vinte e oito anos mais tarde, em sua carta aos Coríntios, Paulo expôs perante essa igreja um argumento formal sobre essa questão, dizendo: "A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes" (I Cor. 12:1) - tão importante era para ele que este assunto fosse compreendido na Igreja cristã! Depois de afirmar que, embora o Espírito seja um, há diversidades de realizações, e explicar quais são essas diversidades, ele apresenta a figura do corpo humano, com os seus vários membros, para mostrar como a Igreja se compõe de diversos dons e funções. E, assim como o corpo consiste de várias partes, cada uma das quais desempenha uma função especial, e todas trabalham de comum acordo para a formação de um conjunto harmonioso, também o Espírito Santo atuaria na Igreja de diversas formas, para constituir uma corporação religiosa que funcionasse muito bem. Paulo prossegue, então, com estas palavras: "A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro lugar mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas."

A declaração de que Deus estabeleceu alguns na igreja, etc., denota algo mais do que o fato de que o caminho estava desimpedido para o aparecimento dos dons se as circunstâncias fossem favoráveis. Quer dizer que eles deviam ser partes permanentes da verdadeira estrutura espiritual da Igreja, e que, se não estivessem sendo atuantes, a Igreja se encontraria na mesma condição que o corpo humano cujos membros, por acidente ou enfermidade, se houvessem estropiado ou invalidado. Uma vez estabelecidos na Igreja, esses dons deviam permanecer ali até que fossem removidos formalmente. Não há, porém, nenhuma indicação de que tenham sido removidos.

Cinco anos mais tarde, o mesmo apóstolo escreveu aos Efésios a respeito dos mesmos dons, expondo claramente o seu objetivo e mostrando assim, indiretamente, que precisam continuar até que seja alcançado esse objetivo. Ele declara: "Por isso diz: Quando Ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro, e concedeu dons aos homens. ... E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo." Efés. 4:8 e 11-13.

Na era apostólica, a Igreja não atingiu a unidade apresentada aí; e logo depois dessa era, as trevas da grande apostasia espiritual começaram a envolver a Igreja; e, certamente, durante essa situação de decadência, não foram atingidas a plenitude de Cristo e a unidade da fé. Nem serão atingidas até que a última mensagem de misericórdia tenha colhido, de cada tribo e nação, de cada classe da sociedade, e de toda organização do erro, um ovo completo em todas as reformas do evangelho, aguardando a vinda do Filho do homem. E, na verdade, se já houve alguma ocasião, em sua experiência, na qual a Igreja necessitasse do benefício de todas as instrumentalidades estabelecidas para seu bem-estar e orientação, encorajamento e proteção, isso seria em meio aos perigos dos últimos dias, quando os poderes do mal, preparados para sua nefanda obra pela experiência e o preparo, procurariam, mediante suas obras-primas de impostura, enganar, se possível, os próprios eleitos. É muito apropriado, portanto, que haja profecias especiais acerca do derramamento do Espírito Santo para o benefício da Igreja nos últimos dias.

Na literatura do mundo cristão é, porém, ensinado comumente que os dons do Espírito só se destinavam à era apostólica; que foram dados simplesmente para a implantação do evangelho; e que, uma vez estabelecido o evangelho, não haveria mais necessidade dos dons espirituais; estando eles, conseqüentemente, destinados a desaparecer da Igreja. Mas o apóstolo Paulo advertiu os cristãos de seu tempo, dizendo que "o mistério da iniqüidade já estava operando e que depois de sua partida penetrariam entre eles lobos vorazes, que não poupariam o rebanho; e também que, dentre eles mesmos, se levantariam homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos após si. Atos 20:29 e 30. Não poderia ser, portanto, que os dons, colocados na Igreja para protegê-la desses males, estivessem prestes, quando chegasse esse tempo, a desaparecer, como se houvessem realizado seu objetivo; pois sua presença e ajuda, nessas circunstâncias, seria mais necessária do que quando os próprios apóstolos estavam no palco da ação.

Na carta de Paulo à igreja de Corinto, encontramos outra declaração, a qual demonstra que o conceito popular da duração temporária dos dons não pode ser correto. É o seu contraste entre o atual estado imperfeito e a gloriosa condição imortal a que finalmente chegará o cristão. Nos versos 9 e 10 de I Coríntios 13, ele diz: "Porque em parte conhecemos, e em parte profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado." Ele ilustra mais ainda o estado atual, comparando-o ao período da infância, com sua fraqueza e imaturidade de pensamento e ação; e a situação perfeita, à condição de uma pessoa adulta, com sua visão mais clara, maturidade, e força. E inclui os dons entre as coisas que são necessárias na situação atual e imperfeita, mas que não precisaremos mais quando chegar o estado de perfeição. "Agora - diz ele - vemos como em espelho, obscuramente, então veremos face a face; agora conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido." I Cor. 13:12. Em seguida, ele declara quais são as virtudes adaptáveis à condição eterna, e que existirão ali: a fé, a esperança e o amor; "estes três: porém o maior destes é o amor".

Isto explica o que é declarado no verso 8: "O amor jamais acaba"; isto é, a virtude celestial do amor durará para sempre; ele é a suprema glória da futura condição imortal dos seres humanos; "mas, havendo profecias, desaparecerão"; chegará o tempo em que as profecias não serão mais necessárias, e o dom de profecia, como um dos meios de ajuda na Igreja, deixará de ser exercido; "havendo línguas, cessarão"; isto é, o dom de línguas não terá mais utilidade; "havendo ciência, passará"; o conhecimento, não na forma abstrata, mas como um dos dons especiais do Espírito Santo, tornar-se-á desnecessário pelo conhecimento perfeito de que seremos dotados no mundo eterno.

Pois bem, se adotarmos a posição de que os dons cessaram com a era apostólica, porque não eram mais necessários, estaremos dando a entender que o período apostólico foi a época fraca e infantil da Igreja, em que tudo era visto como em espelho, obscuramente; mas a época que se seguiu, na qual apareceriam lobos vorazes, que não perdoariam o rebanho, e em que, até mesmo na Igreja, se levantariam homens falando coisas pervertidas para atrair discípulos após si, foi um período de perfeita luz e conhecimento, no qual desaparecera o conhecimento imperfeito, pueril e obscurecido dos tempos apostólicos! Pois, importa lembrar que os dons só cessam quando é atingido um estado de perfeição, porque isso faz com que não sejam mais necessários. No entanto, ninguém, em seu juízo perfeito, poderá manter, nem que seja por um momento, o conceito de que a era apostólica foi inferior, em elevação espiritual, a qualquer período posterior. E se os dons foram necessários naquele tempo, certamente são necessários agora.

Entre as instrumentalidades que o apóstolo, em suas cartas aos Coríntios e aos Efésios, apresenta como "dons" estabelecidos na Igreja, encontram-se os "pastores", "mestres", "socorros" e "governos"; e todos estes são reconhecidos, em toda parte, como estando ainda presentes na Igreja. Por que não, portanto, também os outros, como a fé, os dons de curar, a profecia, etc.? Quem é competente para traçar a linha separatória, e dizer que dons foram "eliminados" da Igreja, se no começo todos foram igualmente incluídos nela?

Tem-se feito alusão a Apocalipse 12:17 como uma profecia de que os dons seriam restaurados nos últimos dias. O exame do seu testemunho confirma este conceito. O texto fala do remanescente da descendência da mulher. Admitindo-se que a mulher constitui um símbolo da Igreja, sua descendência seriam os membros individuais que compõem a Igreja em qualquer tempo; e o "restante" da sua descendência seria a última geração de cristãos, nu os que estiverem vivendo na Terra por ocasião da segunda vinda de Cristo. O texto também declara que essas pessoas "guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus"; e no capítulo 19, verso 10, é explicado que "o testemunho de Jesus é o espírito de profecia", o qual constitui, entre os dons, aquele que tem sido denominado "o dom de profecia" (I Cor. 12:9 e 10).

A colocação dos dons na Igreja não denota que cada membro iria exercê-los individualmente. Em I Coríntios 12:29, o apóstolo pergunta o seguinte a esse respeito: "Porventura são todos apóstolos? ou todos profetas? são todos mestres?" A óbvia resposta é: Não! Os dons são, porém, repartidos entre os membros segundo apraz a Deus. I Cor. 12:7 e 11. Contudo, é declarado que esses dons foram estabelecidos na igreja, e se um dom é concedido a determinado membro da igreja, pode-se dizer que esse dom está "na igreja", ou que a igreja o "possui". Por conseguinte, a última geração deveria ter, e acredita-se que tem agora, o testemunho de Jesus, ou o dom de profecia.

Outro trecho das Escrituras que evidentemente foi escrito com referência aos últimos dias, salienta claramente o mesmo fato. I Tess. 5. O apóstolo inicia o capítulo com estas palavras: "Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o dia do Senhor vem como ladrão de noite." No verso 4, ele acrescenta. "Mas, vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse dia como ladrão vos apanhe de surpresa." Então lhes faz diversas admoestações referentes a esse acontecimento, entre as quais se encontram as seguintes: "Não apagueis o Espírito. Não desprezeis profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom." I Tess. 5:19-21. E no verso 23 ele ora para que aqueles mesmos que assim tivessem de lidar com "profecias" fossem conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda do Senhor.

Em vista destas considerações, não temos razões suficientes para crer que o dom de profecia será manifestado na Igreja nos últimos dias, e que por meio dele será comunicada muita luz, e transmitidas muitas instruções oportunas?

Todas as coisas devem ser tratadas de acordo com a regra do apóstolo: "Julgai [ou examinai] todas as coisas, retende o que é bom."; e ser provadas pela norma do Salvador: "Pelos seus frutos os conhecereis." Apelando para essa norma em favor do que se apresenta como uma manifestação do dom de profecia, recomendamos este volume à consideração dos que crêem que a Bíblia é a Palavra de Deus, e que a Igreja constitui o corpo do qual Cristo é a cabeça.

Urias Smith.

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